Uma das mais bem equipadas escola do Estado de São Paulo funciona em Franca. Inaugurada há seis meses, a Escola do Sesi já é considerada um centro de excelência em educação em período integral. A estrutura é de primeiro mundo e o modelo pedagógico aplicado aqui deve ser referência para outras unidades.
A escola atende 1,6 mil alunos, a maior parte em período integral, das 7h às 16h30. Não mensalidade; há a cobrança de uma taxa de R$ 200 para manutenção dos serviços. 30% dos alunos têm isenção e não pagam.
O prédio, inaugurado no final de maio, é todo estruturado de forma sustentável. São quatro andares. Nos três primeiros, ficam as 36 salas de aulas. No quarto andar, os laborátórios e áreas para projetos especiais. Cada andar é identificado com uma cor e conta com salas destinadas às aulas de informática, robótica e à biblioteca. Há um vão na parte central do edifício para privilegiar a iluminação natural. As luzes em todos os locais também são econômicas. Há ainda um sistema de reuso de água e de captação das chuvas. Todos os ambientes são climatizados com controle de temperatura e ar condicionado. Na obra e aparelhamento da escola, foram investidos R$ 32,4 milhões.
Apesar do elevado número de alunos, tudo funciona organizadamente. As turmas são dividas por séries e têm horários diferentes de intervalo e almoço. Assim que chegam, os alunos fazem sua primeira refeição, um café da manhã reforçado, depois ainda almoçam e têm um outro lanche à tarde. O refeitório tem capacidade para atender até 450 alunos por vez. Os cardápios são elaborados por uma nutricionista e todos os alimentos são naturais e preparados na cozinha industrial da própria unidade. Para alunos com necessidades especiais, como os obesos ou diabéticos, há refeições diferenciadas, com cardápios criados especificamente para eles.
Mesões
Nas aulas, a aprendizagem é feita de forma colaborativa. Saem as carteiras individuais existentes nas escolas comuns e entram mesões com capacidade para até cinco alunos por unidade. A ideia central é que os próprios alunos ajudem uns aos outros a assimilar o conhecimento oferecido. “É uma mudança, uma evolução no papel do professor que deixa de ser um mero detentor do conhecimento e passa a ser o mediador do processo de aprendizagem”, explica Zenaide Chieregato Siqueira, uma das diretoras da unidade e que há 25 anos trabalha no Sesi.
Pelo novo modelo, os alunos sentados em mesas coletivas dividem dificuldades e trocam experiências. “É uma forma de desenvolver as habilidades de trabalhar em grupo, de ajudar o próximo e de ser mais útil socialmente. Com esta metodologia, a criança não apenas cresce em termos de conhecimento mas também como ser humano”, disse a também diretora Lísida Macena Dian, que está no Sesi há 24 anos.
As mesas coletivas fazem parte da rotina dos alunos até a 8ª série, quando, então, voltam ao modelo tradicional de carteiras individuais.
Vivências
Durante as nove horas que permanecem na unidade, os alunos contam com as aulas tradicionais da grade curricular e têm disciplinas extras, que são as chamadas “vivências” em diferentes áreas do aprendizado. Na área artística, os alunos têm música, teatro, literatura; na área esportiva, tem a oportunidade de praticar várias modalidades; de ciências e tecnologias, contam com aulas práticas de computação e robótica. Conforme avançam nas séries, novas vivências são acrescentadas. A partir do 6º ano, começam a ter aulas de inglês, no 7º ganham instruções de empreendedorismo e no 8º começam a aprender sobre educação financeira.
Para cada uma das vivências, existem salas especialmente equipadas com o que há de mais moderno. Nas aulas de robótica, uma parceria com a Lego do Brasil permite aos alunos ter acesso a 32 notebooks para a programação dos robôs e a todo material usado no desenvolvimento dos aparelhos, além de uma mesa de tarefas para treino e aprimoramento. Até mesmo as crianças do 1º ano já se familiarizam com o uso dos computadores. “Nosso ensino é feito de forma totalmente integrada. O conhecimento oferecido em sala de aula é depois abordado, por exemplo, em jogos virtuais no computador e nas aulas de robótica. Para os mais velhos, também são feitas experiências nos laboratórios de química, física e biologia”, disse a diretora do centro de atividades do Sesi de Franca, Silma de Alcântara Junqueira.
A unidade é a maior do Estado em ensino integral e agora deve servir de modelo para as demais que estão sendo construídas em São Carlos, Valinhos e na capital. Para estudar no Sesi, a criança precisa ser filha ou dependente de empregado na indústria. Para a 1ª série, é feito sorteio no final do ano. Para as demais séries, há processo seletivo.
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