Não há como esconder: a gente adora se ver no meio de uma tribo, da nossa tribo, se reconhecer no outro e ter nossas preferências reafirmadas pelo outro. Deve ser herança indígena. Foi na tarde de quarta-feira que o movimento começou, vindos de todos os lados, uniformizados, vindos de trem da zona leste, descendo dos metrôs, a pé pelo viaduto, dentro dos carros, uns cumprimentavam os outros sem medo da habitual sisudez paulistana.
39 mil pessoas encheram de verde e branco o novo estádio do Palmeiras, o Allianz Parque. Nem se parece com um campo de futebol, mais se parece com uma arena de shows, aliás, esse bem poderá ser o destino daquele estádio, a ver pela deprimente falta de espetáculo do futebol apresentado pelo time...
Bem, tudo, exceto o futebol, funcionou impecavelmente bem, um contraste diante das outras inaugurações de estádios: inacabados, banheiros insuficientes, falta de comida. Não ali, estava tudo pronto e funcionando de forma satisfatória. Falo de 47 pontos distintos para venda de comida e bebida, por exemplo. Quaisquer das rampas de acesso tinham banheiros e pontos de venda, logo, as filas, quando haviam, eram mínimas.
O estádio estava lotado de crianças e mulheres, achei até demais! No metro quadrado onde eu estava, éramos 5 mulheres e 7 homens. Muitos pais com seus filhos, que se orgulhavam pela lição vistosa de masculinidade e de responsabilidade por ser torcedor do time do pai, como a perpetuação de alguma regra essencial.
Mas vamos às comidas do Allianz Parque. Infelizmente não há nada de muito criativo, pelo jeito o estádio vai se adaptar ao fácil, nada típico paulistano. Diferentemente de alguns outros estádios que ainda alimentam uma certa culinária, coisa que vem desaparecendo aos poucos. É o caso do Mineirão, que servia um feijão tropeiro maravilhoso, e agora, só um feijão com farinha, e dizem, sem nenhuma imaginação.
No entanto, dá para matar a fome e a sede. Tem água, refrigerante, energéticos e cerveja, mas sem álcool. Não sei se vocês se lembram do quiproquó todo envolvendo a venda de bebida alcoólica dentro dos estádios? Pois é, no Brasil é proibida a venda. E com a popularização das novas cervejas sem álcool a coisa toda parece ter se ajeitado.
Para comer, os indefectíveis Elma Chips. Mas, de forma bem simpática, também tinham saquinhos de pipocas de verdade e não aquelas horríveis feitas na gordura hidrogenada, como as de micro-ondas. E os sanduíches pareciam deliciosos e bastante asseados – o de rosbife foi o que me pareceu melhor. Havia ainda de bacon, alface e tomate e, claro, um vegetariano fazendo a alegria da mulherada. Chocolates kit kat e suflair e picolé Dileto. Ou seja, dá pra sair do trabalho, assistir ao futebol e fazer uma boa boquinha.
Ah! E nunca é demais avisar, embora houvesse tantas mulheres, o ambiente continua sendo um reduto masculino e, ciosos por atender perfeitamente aos códigos de honra daquela tribo, xingaram ininterruptamente durante os 90 minutos da partida.
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