Questão de economia


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É básico em qualquer economia, da doméstica à pública: todo bom administrador sabe que não pode gastar mais do que arrecada. Isto serve para a dona de casa e também para a equipe econômica do governo federal. Enquanto a primeira busca alternativas para evitar um endividamento, gerindo um orçamento muitas vezes apertado e cortando despesas consideradas supérfluas e até algumas necessárias, buscando o equilíbrio das contas, nos últimos anos o governo federal deixa claro que não mantém entre suas práticas a máxima da economia.
 
O brasileiro vem buscando cortar, muitas vezes num esforço tremendo, até itens básicos para evitar o endividamento. Ele sabe que dinheiro não cai do céu e as dívidas, num País onde os juros estão entre os maiores do mundo, só se avolumam. Sem garantia de dinheiro extra, ele busca contingenciar seus gastos e se manter dentro do orçamento. A equipe econômica do governo Dilma Rousseff (PT) não pensa assim. Em vez de cortar gastos, reduzindo o comprometimento com salários da máquina administrativa, buscando reduzir as suas despesas, tenta, através de um projeto em discussão no Congresso, reduzir o déficit do Tesouro com uma modificação na Constituição brasileira.
 
A partir do momento em que busca alternativas — que o cidadão comum não tem — para apresentar um superávit inexistente, driblando a Lei de Responsabilidade Fiscal, os teóricos em economia do Planalto demonstram que não há um verdadeiro comprometimento com as boas práticas em termos de orçamento. E o que é pior: as ações mostram uma distância entre o discurso e a ação. No governo, se gasta mais do que se arrecada, num péssimo exemplo para a dona de casa que ‘pula miudinho’ para se manter adimplente e cumpridora de seus deveres inclusive com os impostos cobrados nos três níveis da administração pública - federal, estaduais e municipais -, os quais financiam a máquina administrativa.
 
Diante deste quadro, a equipe econômica do Planalto prepara - e o assunto vem sendo tratado na surdina - remédios amargos para a população brasileira arcar com o descontrole dos últimos quatro anos. O reajuste da tabela do IR (Imposto de Renda) em níveis inferiores à taxa de inflação no período deverá aumentar o contingente de contribuintes - a situação se repete desde o primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, há quase 12 anos - é uma delas. Outra medida deverá ser a volta da Cide (contribuição cobrada sobre a venda de combustíveis), para aumentar o caixa do governo.
 
O mais certo seria cortar gastos, como as comitivas imensas levadas pela presidente Dilma a cada uma de suas viagens, a contenção dos gastos com o cartão corporativo da Presidência da República, as mordomias diárias de entes públicos (que não contemplam o trabalhador comum, que as financia) e a redução dos cargos comissionados, entre várias outras providências que não seja jogar apenas sobre os ombros da população todo o ônus deste descontrole. Assim como faz a dona de casa que corta seus gastos quando não tem como buscar outros meios de financiamento de suas contas.
 
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