Não se pode qualificar de outro modo a política do presidente colombiano Juan Manuel Santos em relação às FARC, grupo narcoguerrilheiro que há mais de 50 anos ensanguenta a Colômbia. É impossível qualquer acordo com um inimigo que antes de ir para a mesa de negociações não tenha cessado suas atividades criminosas. Santos não somente negocia com as FARC, como o faz enquanto a narcoguerrilha mata, mutila e sequestra. A propósito, convém notar o silêncio de entidades ligadas a direitos humanos, tão sôfregas em defender qualquer ato que atinja esquerdistas.
Nas negociações que mantém com Cuba, a grande vencedora serão as FARC. Seus membros trocarão a desgastada guerra na selva por estratégicos cargos públicos, a partir dos quais poderão conduzir a Colômbia aos rumos nefastos da revolução bolivariana. Além disso, não há garantia de que abandonem as armas...
O lance mais recente das FARC ocorreu em 6 de novembro. Uma de suas facções sequestrou ninguém menos que o general Rubén Darío Alzate Mora, que estava desarmado e acompanhado de pessoas em uma zona guerrilheira de alta periculosidade sob a sua jurisdição. O fato fez com que o presidente Santos declarasse suspensas as negociações até a libertação do general e de seus acompanhantes. As FARC, cínicas como sempre, pedem diálogo e dizem que a solução do caso depende só do governo. Tendo em vista o espírito entreguista do primeiro mandatário colombiano, não era só previsível, mas já se anuncia que ele engolirá mais esse desaforo, deixando patente que são as FARC que decidem a situação e fazem o que bem entendem. Ao gesto de suma ousadia das FARC, Santos respondeu apenas com suspensão provisória de negociações. Era de se esperar que as cancelasse, e a narcoguerrilha voltasse a ser tratada com a única linguagem que compreende e detesta, a qual Santos infelizmente também detesta, embora insista em não compreender.
Hélio Dias Viana
Escritor
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