Choque ético


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Após a prisão de vários administradores acusados de participar de atos de corrupção ativa e passiva na Petrobras, a presidenta Dilma Rousseff foi a público destacar a atitude do seu governo em apurar um escândalo de corrupção: ‘pela primeira vez na história do Brasil’. 
 
Não é verdade que esta seja a primeira vez que fatos dessa natureza são aqui investigados. 
 
Aliás, o articulista Toninho Menezes, deste Comércio, enumerou episódios de corrupção que foram regiamente apurados e penalizados, inclusive o ‘escândalo do mensalão’ e o ‘Collorgate’.
 
É bom considerar que, ao contrário do que a presidenta alega, não é ato de seu governo a apuração criteriosa dos escândalos da Petrobras, mas sim da Polícia Federal, capitaneada pelo juiz federal Sérgio Moro, do Paraná.
 
Como bem ponderou o doutor em comunicação Carlos Alberto Di Franco, no jornal O Estado de São Paulo, ‘O juiz federal Sérgio Moro não é um contínuo do Palácio do Planalto. É representante de outro Poder da República. A polícia federal, independente e eficiente, não é um departamento subordinado aos interesses, caprichos e ordens da doutora Dilma Rousseff’. 
 
Em verdade, é bom que a população se conscientize que a Lava Jato apura atos de corrupção que fragilizaram a saúde financeira da maior empresa do país, ocorridos no seio do próprio governo e dos partidos de sua base de sustentação. 
 
Portanto, o governo da presidenta não está investigando. Está sendo investigado. 
 
A população e a imprensa têm papel importantíssimo na preservação da democracia de nosso país, Os fatos são graves e o país precisa passar por um choque ético que vise preservar nossas instituições. 
 
O povo quer um basta na corrupção e na impunidade para não termos de explicar, no futuro, a nossos netos, as razões pelas quais um ladrão de galinha ia para a cadeira, mas não um político corrupto que roubou milhões dos cofres públicos. 
 
Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial, professor da Faculdade de Direito de Franca
 
 

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