Sempre foi voz corrente por aqui de que Franca era “fim de linha”, onde faltavam opções de lazer e divertimento noturno. Mesmo assim, de vez em quando o Teatro Municipal “José Cyrino Goulart” recebia espetáculos com grandes nomes da televisão e do teatro brasileiros. Além disso, ainda tínhamos a Expoagro que, anos após anos, era ansiosamente aguardada em razão da participação de cantores de renome nacional, não só da música sertaneja, mas também do samba, do pagode e da MPB. O ginásio Poliesportivo também foi palco de shows de memorável sucesso em décadas passadas. Até o estádio Lanchão já se viu lotado para um espetáculo musical.
Pelo menos nos últimos 15 ou 20 anos, o panorama vem mudando radicalmente. Inicialmente, os grandes shows e espetáculos deixaram de ser realizados com mais constância e passaram a ser esporádicos, graças ao esforço de grupos de mídia e seus patrocinadores. Ultimamente, o francano vive uma verdadeira época de vacas magras, precisando se deslocar para cidades da região ou mesmo até Ribeirão Preto para assistir ao vivo os seus artistas preferidos. Ainda há os promotores que bravamente resistem, mas estes poucos podem fazer para melhorar este panorama.
Nos últimos meses vários shows foram cancelados, na maioria das vezes em razão da falta de interesse. Porém, o caso não é bem simples assim. Acontece que, em diversas legislaturas, a Câmara Municipal aprovou meia-entrada ou gratuidade a uma série de grupos específicos, como estudantes e aposentados, entre outros, o que derruba a renda de qualquer espetáculo. Para contratar cantores de ponta e arcar com a estrutura, os promotores precisam jogar o preço dos ingressos às alturas, para não sofrer prejuízo. Com isso, um estudante ou um trabalhador, mesmo querendo acompanhar o espetáculo, não tem como pagar os valores cobrados. Aí reside a falta de interesse.
Além disso, o Executivo municipal francano, ao contrário do que acontece em outras cidades, também contribui para este deserto cultural. Há dois anos a Expoagro tornou-se uma feira técnica e os shows foram abolidos, em razão das exigências feitas pela Prefeitura, que afugentam qualquer interessado em promover a parte recreativa da feira. Trata-se de uma atitude autocrática, típica de administrações que não se interessam pelo lazer da população. As exigências da administração municipal são, de per si, um verdadeiro impedimento. Ou seja: não há condições de cumpri-las, o que parece ser o objetivo da Prefeitura.
Quando será que aparecerá alguém capaz de mudar este cenário? Se nada for feito. A situação poderá se complicar ainda mais. O aniversário de Franca, amanhã, terá apenas atrações locais, ao contrário de outros tempos quando tivemos espetáculos com artistas populares na Concha Acústica da Praça Nossa Senhora da Conceição. O público não se contenta mais em apenas ouvir os cantores dos quais gosta no rádio, em CDs ou na televisão. Querem vê-los ao vivo. Uma ventura que a maioria dos francanos hoje não tem.
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