O Sindicato dos Sapateiros de Franca, que representa a maior categoria profissional da cidade - cerca de 28 mil trabalhadores -, tem novo comandante. O sapateiro Agnaldo Madaleno da Cunha foi eleito presidente depois de uma disputa tumultuada contra Sebastião Ronaldo, que já controla o sindicato da categoria na região. Foram dois dias de votação. Na terça-feira, houve confusão. Ontem, o dia foi tranquilo.
A atual direção do sindicato solicitou a intervenção da Justiça do Trabalho. Três oficiais foram designados para acompanhar a votação, que terminou às 17 horas. As dez urnas foram levadas para a sede da entidade. A apuração foi feita em três frentes paralelas, cada uma com um dos oficiais e durou pouco mais de uma hora.
O processo foi acompanhado de perto por Agnaldo Cunha e seus apoiadores. Ninguém do grupo de Sebastião compareceu. Para garantir a lisura, ainda foi requisitada a presença de um representante da Ordem dos Advogados de Franca. O escolhido foi o advogado Luan Gomes.
Às 20h04, foi anunciado o resultado final. Agnaldo foi eleito com 1.289 votos. Seu adversário ficou com 428. Além disso, houve 10 votos nulos e 14 em branco. “Estou muito agradecido. Investimos pesado nesta campanha. Queremos renovação e ajudar essa categoria tão sofrida”, disse Agnaldo.
Ele, desde às 4h30 de ontem, esteve acompanhando a votação. “Eu não esperava essa vantagem toda. Estou muito surpreso e feliz com o resultado do nosso trabalho.” Para se eleger, ele contou com o apoio de Geraldo Xavier, que preside o Sindicato dos Motoristas. Não houve confirmação, mas nos bastidores a informação era de que a campanha de Agnaldo custou quase R$ 100 mil. O investimento tem uma razão. Em jogo está o controle do sindicato da maior categoria da cidade com orçamento anual de R$ 1,5 milhão.
Depois da apuração, as urnas foram apreendidas pela Justiça do Trabalho e devem ficar guardadas para possíveis conferências.
Ao deixar o Sindicato, Agnaldo fez um rápido discurso agradecendo o apoio recebido por seus companheiros e pedindo empenho na nova administração, que toma posse em janeiro. Ao final, foi ovacionado com gritos de guerra e carregado pelos amigos que o esperavam do lado de fora da sede sindical.
Para o futuro, prometeu ter como principais bandeiras a inclusão de uma cesta básica para a categoria já nas negociações do acordo coletivo de 2015, que começam em fevereiro, e a mudança da data-base da categoria de 1º de fevereiro para 1º de outubro. “Em fevereiro, quase não há produção. Os donos de fábricas não estão preocupados com eventuais paralisações. Isso acaba nos enfraquecendo nas negociações salariais. Em outubro, é bem diferente. Teremos mais igualdade na mesa de discussão.”
A reportagem tentou entrar em contato com Sebastião Ronaldo para saber se ele deve recorrer do resultado, mas ele não atendeu o celular.
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