Durante a campanha eleitoral que culmino com a reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT), o candidato Aécio Neves (PSDB) já tinha deixado claro que não hesitaria em lançar mão de medidas impopulares para fazer a economia brasileira voltar a andar. Foi o que bastou para a petista acusá-lo de querer frear as linhas de crédito dos bancos oficiais e aumentar os juros subsidiados. Quem conhece pelo menos um pouco da vida econômica do País, àquela altura, já sabia que o descontrole era patente e que apenas um remédio amargo seria capaz de tirar o doente da cama e voltar a fazer a economia brasileira crescer novamente. As últimas ações da presidente mostram que o discurso de Aécio apontava no rumo certo e que Dilma blefava. A manter a condução dos rumos de seu primeiro mandato, certamente o País iria para um buraco difícil de sair.
Embora não deixe claro a sua intenção, a presidente, segundo assessores, estabeleceu como meta do próximo titular do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) a promoção de uma guinada na condução da política de financiamento. Ao contrário do cenário favorável com o qual o atual ocupante do cargo, Luciano Coutinho, vem trabalhando desde o início da crise financeira internacional, o novo presidente do banco vai assumir com menos dinheiro para emprestar e com taxas de juros mais altas para as empresas, segundo informou o jornal O Estado de S. Paulo em sua edição de ontem. Em nome da saúde das contas públicas e da corrida para evitar o iminente rebaixamento na nota de crédito do Brasil, a presidente já decidiu que terá que ‘poupar’ o caixa do Tesouro Nacional e limitar os subsídios aos investidores.
Ainda de acordo com o Estadão, desde a queda do banco de investimentos norte-americano Lehman Brothers, em 2008, a equipe econômica brasileira vem usando o BNDES numa tentativa de impulsionar a taxa de investimentos da economia e, consequentemente, manter o PIB crescendo. As injeções bilionárias do Tesouro nos últimos anos, no entanto, não foram suficientes para dar conta do recado: a formação bruta de capital fixo, termômetro usado pelo IBGE para calcular os investimentos públicos e privados, recuou no início deste ano. No ano que vem, é dado como certo no governo que haverá o aumento da TJLP, a Taxa de Juros de Longo Prazo, usada como referência pelo BNDES em seus financiamentos. Os juros pagos pelas empresas que tomam dinheiro emprestado da instituição pública custam bem menos que os bancos privados - diferença que é bancada pelos cofres públicos.
Chamada tecnicamente de equalização de juros, essa modalidade consome o dinheiro arrecadado com o contribuinte, além das capitalizações do próprio banco de investimentos oficial, quando o governo repassa dinheiro à instituição para aumentar sua capacidade de empréstimos. Atualmente, a TJLP está em 5% ao ano e o governo paga a diferença entre este índice e a taxa Selic, definida pelo Banco Central e que está em 11,25% ao ano. Ou seja: o aperto será maior no ano que vem.
email opiniao@comerciodafranca.com.br
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.