A eleição para a escolha do novo presidente do Sindicato dos Sapateiros de Franca, marcada para terminar hoje, começou tumultuada ontem, 25. Logo nas primeiras horas de pleito, duas das dez urnas existentes foram parar na polícia e a disputa entre as chapas se acirrou. A previsão é que o processo continue até as 17 horas desta quarta-feira, com a expectativa de reunir votos de pelo menos metade dos 2,5 mil trabalhadores aptos a votar.
A confusão começou quando as urnas itinerantes saíram da sede do sindicato, na Estação, com destino às fábricas da cidade. Segundo o coordenador do processo eleitoral, Noberto Marques Vieira, cada urna deveria sair acompanhada de um presidente e dois mesários que representariam as chapas participantes, mas não foi o que ocorreu. “No intuito de atrasar a eleição e não colher votos, os mesários da chapa 3 não compareceram e nós tivemos que substitui-los. Às 9 horas, ainda havia urna no sindicato”, disse.
Disputam a diretoria sindical, a chapa 2 encabeçada por Agnaldo Madaleno e a chapa 3 liderada por Sebastião Ronaldo. A chapa 1 deixou de concorrer a eleição após a morte do seu candidato e até então presidente do sindicato, Fábio Cândido, na última sexta-feira.
Com roteiros pré-definidos, as urnas seguiram para as fábricas até que, no Distrito Industrial e no Jardim Paulistano, integrantes da chapa 3 teriam tentado interceptá-las, segundo declarou Vieira. “Eles furaram pneu do carro que transportava a urna, quebraram vidros e fizeram ameaças, tudo com interesse de adiar a eleição”, disse o coordenador do pleito.
O candidato a presidente pela chapa 3, Sebastião Ronaldo, disse que as agressões não procedem, mas confirmou a saída das urnas sem acompanhamentos de mesários da sua equipe. Ele também afirmou que pedirá a impugnação da eleição na Justiça.
“O processo não está ocorrendo conforme o edital. Sem acompanhamento e participação da chapa 3 em cinco urnas, o procedimento é errado. Estamos juntando provas, fazendo boletim de ocorrência e queremos protocolar o pedido de impugnação na Justiça”, declarou Ronaldo.
Procurado durante a tarde, o advogado do sindicato, Luiz Carlos Timóteo, informou que nenhuma urna havia sido apreendida, que todos os transtornos estavam controlados e a eleição transcorria normalmente.
O candidato da chapa 2, Agnaldo Madaleno, também confirmou o tumulto, mas disse estar tranquilo e confiante no processo. “Em processo de eleição isso é comum, porém não há motivos para impugnação. Está tudo dentro do estatuto, o que temos que fazer agora é esperar, já prevendo que o segundo dia será mais agitado.”
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