Que a Internet brasileira é considerada uma das mais lentas do mundo não é novidade. E nem que as exigências recentes da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) ainda não surtiram os efeitos desejados para a melhoria do serviço prestado no País. A empresa de tecnologia norte-americana Akamai divulgou recentemente um estudo que mostra a velocidade média da internet banda larga em 54 países no segundo quadrimestre de 2014. O Brasil, empatado com o Vietnã, obteve uma média de 2,9 Mbps (megabytes por segundo), a 9ª pior. Como destaque do estudo, aparece a Coreia do Sul com a média de 24,6 Mbps. Mais de oito vezes a média brasileira.
A própria legislação limita a velocidade, ao permitir que as operadoras ‘entreguem’ apenas 80% do contratado pelo usuário. Ou seja, se alguém paga por 10 Mbps acaba recebendo apenas 8 Mbps, algo que não acontece em outros países. Além disso, as quedas de servidores são mais frequentes do que o satisfatório. Em centros mais afastados, o sinal é pior. Pouco mais da metade dos brasileiros tem acesso à Internet, mas este percentual está concentrado nas regiões mais desenvolvidas, como Sul, Sudeste e Centro-Oeste, onde os preços são muito altos e a qualidade abaixo dos países mais desenvolvidos do Planeta.
Além disso, a qualidade ainda afeta a telefonia celular (e muitos brasileiros usam smartphones para acessar a rede mundial de computadores). Segundo estudo publicado pela UIT (União Internacional de Telecomunicações), a telefonia e o acesso à internet no Brasil ainda estão entre os mais caros do mundo e os custos freiam a capacidade de garantir que os serviços cheguem a toda população. A desigualdade social é traduzida também para uma desigualdade digital profunda. No Brasil, o custo da internet para a população mais carente é 20 vezes o peso que o mesmo serviço representa para os mais ricos. E 44% das pessoas que têm computador em casa não conseguem pagar uma assinatura para ter internet.
O documento também revela que o custo de uma ligação pelo telefone celular no Brasil é superior a todos os países europeus e consome uma proporção maior da renda que em países como Cuba, Paquistão, Argélia ou Guiné Equatorial. De 166 países avaliados, apenas 47 deles têm um custo superior na ligação ao que o brasileiro paga no celular, entre eles Etiópia, Albânia, Ruanda e Madagascar. Os locais onde a ligação tem o menor custo são Macau, Hong Kong e Dinamarca.
Um dos maiores problemas causador deste efeito sobre a telefonia e a Internet é a falta de investimento em pesquisa em tecnologia. Embora incentivos governamentais tenham permitido a instalação de empresas tecnológicas no País, nada ainda foi capaz de melho0rar a qualidade dos serviços oferecidos por aqui ou impactar nas tarifas cobradas. Os aparelhos estão mais baratos, mas muitas vezes a rede não funciona adequadamente embora os brasileiros paguem mais do que em outros países por ela. Que a nova equipe de governo atente para este sério problema e crie condições para que o País solucione mais este gargalo.
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