Mulher perde braço após 5 consultas


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Imagem de arquivo da fachada da Santa Casa de Patrocínio Paulista
Imagem de arquivo da fachada da Santa Casa de Patrocínio Paulista
A cortadora de peças Rita de Cássia Facho Magalhães, 38, ainda não conseguiu se acostumar com sua nova condição. No último dia 8 de outubro, ela teve seu braço esquerdo amputado depois de enfrentar uma via-crúcis em busca de uma solução para as dores latejantes que sentia no braço. Ela acusa médicos e a Santa Casa de Patrocínio Paulista de negligência e erro médico. A ação judicial de indenização deve ser proposta ainda nesta terça-feira. 
 
Rita conta que seu calvário começou em setembro. “Eu trabalhava cortando bojos em uma fábrica e comecei a sentir muita dor no braço. Não conseguia dormir e decidi procurar o médico.” Segundo ela, sua primeira consulta aconteceu no dia 25 de setembro. “Fui na Santa Casa. Falei pro médico das dores e que também estava com febre. Sem fazer nenhum exame mais detalhado, ele me receitou inalação e alguns remédios para o pulmão.”
 
Como seu quadro só piorava, no dia 29 de setembro, Rita procurou a unidade de saúde perto de sua casa. Desta vez, foi atendida por uma médica, que também não pediu exames e receitou um antibiótico. “Falei que estava com dor no braço. Mas ela não me ouviu. Só entregou a receita e disse que podia ir.”
 
Desconfiada, a cortadora foi buscar ajuda na Santa Casa novamente. Atendida por outra médica, desta vez, o diagnóstico foi de tendinite. A médica também solicitou um raio-x, mas não do braço atingido, mas sim do tórax. “De novo, não ligaram para a minha dor que só piorava. Meu braço estava inchado já. Não conseguia mexer a mão de tanta dor.”
 
No dia seguinte, sem conseguir sequer segurar um objeto e vendo sua mão ficar roxa e fria. Rita voltou ao hospital. “Eu não estava mais aguentando. Pedi que fizessem um exame porque os remédios não faziam efeito, mas o médico disse que eu tinha de esperar.”
 
Inconformada, a mãe de Rita resolveu emprestar dinheiro para que ela viesse se consultar com um profissional em Franca. “Minha mão já estava roxa. Eu não dormia nem comia mais. Entrei no consultório e a hora que o médico examinou meu braço se assustou. Disse que era para eu ser internada imediatamente.”
 
Rita foi diagnosticada com trombose avançada e embolia e internada na Santa Casa de Franca. “O médico disse que eu poderia ter morrido se esperasse mais como os médicos de Patrocínio disseram.” 
 
Já em Franca, Rita passou por diversos procedimentos para tentar reverter a trombose. Sem sucesso. “O quadro estava muito avançado. Não havia muito o que fazer. Tiveram de amputar.” A cirurgia aconteceu no dia 8 de outubro. Desde então, Rita, que mora e sustenta seus três filhos, não conseguiu voltar ao trabalho. Seu processo no INSS ainda não foi concluído. “Estou vivendo com a ajuda de familiares.”
 
Ela disse que decidiu processar os médicos e a Santa Casa de Patrocínio porque não se conforma com a falta de atenção com que foi tratada. “Talvez, se um deles tivesse realmente prestado atenção, teria percebido que algo estava errado com o meu braço e hoje eu não estaria deste jeito.”
 
O advogado Denílson Carvalho disse que deve dar entrada hoje na ação de indenização. “Falta apenas um detalhe de qualificação dos envolvidos. O caso da Rita é muito revoltante. Olhando todos os documentos, fica clara a negligência dos profissionais.” Ele não quis citar os valores que deve solicitar de indenização. “Nossa intenção é apresentar o caso e deixar que o juiz decida o que é justo.” Rita teve de arcar com todos os custos da consulta particular e dos exames em Franca e até pagou R$ 48 pelo sepultamento do membro amputado.
 
O gerente administrativo da Santa Casa de Patrocínio, Géter Simão Ferreira, disse que não sabia do caso envolvendo Rita e que deve apurar os fatos. 
 
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