Qual o papel da comunicação na sociedade? É essencial mas vem sendo construída com irresponsabilidade de profissionais da área. Tenho dois exemplos. O primeiro, o cigarro. Leis transformaram o fumante em condenado. Há imagens chocantes nas embalagens e restrição à publicidade. Mas, o mais importante, que é trabalhar conscientização sobre males, não aconteceu. Conscientização requer comunicação lógica e respeitosa ao público. Tratar proibindo não resolve, só ameniza. Parece-me que se mistura legislação e comunicação. A sociedade nega a existência e não trata: não ver o fumante não significa que não exista.
Outro caso é o do Estatuto da Criança e do Adolescente. De que adianta estatuto se não temos pais, mestres e cuidadores preparados para educar crianças? Colocaram-se regras, mas não se agiu na causa. Não há como esperar resultados satisfatórios. A criança, desde a gestação, absorve o que acontece e portanto, vai reagir de alguma forma. É nos primeiros anos que 80% da capacidade cognitiva da criança se forma. Essa informação esclarecedora, crucial, adaptada aos diversos públicos, não chega a grande massa. Está restrita a grupos que se esforçam para conscientizar o maior número de pessoas possível.
É melhor ter algo do que não ter nada, mas condeno o papel do comunicólogo que não questiona. Nós, profissionais, nos tornamos ‘fazedores’ e deixamos de ser ‘pensadores’. Deixamos de considerar as relações de causa e efeito, não planejamos considerando a forma de absorção da informação do seu target e sua forma de reação. Trabalhamos sob a ditadura das metas de vendas, dos resultados, dos ROIs, e deixamos de fazer perguntas que podem levar a resultado mais consistente. O pensamento e as estratégias estão automatizadas e parecem iguais, mesmo que para produtos e mercados diferentes. Vale reflexão. Se nos acomodamos, certamente também acomodados como cidadãos.
Marta Fujii
Sócia fundadora da FitLife Marketing
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