O Rio Grande do Sul enfrenta o primeiro reflexo econômico da Lava Jato. A Iesa Óleo e Gás, contratada para fabricar módulos de plataformas de petróleo para a Petrobras, teve diretores presos por participação no cartel das propinas, e a estatal rescindiu o contrato. Mil trabalhadores perderão o emprego em Charqueadas (RS) e outros 5 mil indiretos ficarão sem atividade. É grave problema para o município de 35 mil habitantes. A instabilidade vivida por Charqueadas se estende a Rio Grande, sul do Estado gaúcho. Duas empresas do polo naval ali instalado também são investigadas. Teme-se que tenham contratos suspensos e necessidade de demitir. Produz cascos para plataformas petrolíferas e navios-sonda. São 12 mil trabalhadores executando obras que batem nos US$ 10 bilhões.
Quando começou a Lava-Jato, uma das indagações era sobre o que se faria com projetos em andamento. As falas de fontes do governo e do meio político davam conta que não havia risco de ‘parar o Brasil’. O exemplo gaúcho diz o contrário. É evidente que envolvimento de empresas no esquema das propinas é motivo suficiente para a suspensão de contratos e supressão de postos de trabalho. O governo não pode ignorar que, se contratou, é porque são necessárias, e que elevadas somas já foram investidas. Então, não pode parar. As irregularidades têm de ser sanadas, os culpados exemplarmente punidos, mas há que se proteger o interesse público, o erário e o mercado de trabalho. Outro ponto a ponderar é a possibilidade de, pelo menos parte dos empresários provarem terem sido vítimas de extorsão e obrigados a pagar a propina às quadrilhas para só assim ter acesso aos contratos e, principalmente, receber as faturas do trabalho honestamente realizado.
Em todos os pontos onde existam contratos do governo com empresas suspeitas e até com outras, há possibilidade de irregularidade e consequente paralisação de obras. O governo, o Congresso Nacional e a Justiça têm que resolver isso. Como no princípio da biologia, é imperioso expulsar os vermes, mas há de se ter todo cuidado para o remédio forte não matar também o paciente...
Dirceu Cardoso Gonçalves
Articulista
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