Com consumidores cada vez mais exigentes com relação ao café (a exemplo do que ocorre com os vinhos), cafeicultores da região de Franca estão dando um novo foco para suas lavouras. Atentos as exigências de mercado, a paladares refinados e no intuito de ganhar mais rentabilidade, muitos começaram a se dedicar à produção de grãos especiais. Somente na AMSC (Associação de Produtores de Cafés Especiais da Alta Mogiana) há 60 cafeicultores, mais da metade deles associados nos últimos seis meses.
O interesse pela produção de cafés diferenciados tem se intensificado principalmente em razão da possibilidade de conquista de novos mercados e também de um preço que pode chegar a até 100% mais em comparação a uma saca de 60 quilos com grãos comuns para commodity, atualmente vendida em torno de R$ 480.
“Há preços excepcionais, depende da oferta, da qualidade. Para um produtor, ganhar de 10% a 15% no valor de uma saca já é bom. Ele está realizando uma venda diferenciada”, disse o presidente da Cocapec (Cooperativa dos Cafeicultores e Agropecuarista), Maurício Miarelli, que confirma o aumento de produtores interessados em cultivar cafés especiais. “Nossa região já tem um padrão de qualidade superior, porém em algumas localidades com altitude favorecida há uma aptidão maior em produzir cafés especiais.”
Segundo a superintendente da AMSC, Patrícia Milan, existe um mercado a ser explorado e a região da Alta Mogiana (que compreende 15 cidades no Estado de São Paulo) tem potencial de produzir até 25% da safra prevista de 2 milhões de sacas ao ano em grãos especiais. Entre os fatores contabilizados que favorecem essa produção, estão além da altitude, o clima, a umidade e a variedade do café utilizado. “Todas essas características aliadas ao manejo diferenciado com a terra e o tratamento realizado pós colheita potencializam as chances de se conseguir esse café.”
A seleção
Para ser classificado como especial, o café precisa preencher uma série de critérios na lavoura e posteriormente atingir numa escala de zero a 100, o mínimo de 80 pontos nas análises das entidades internacionais realizadas por profissionais qualificados.
De acordo com Patrícia, as notas levam em consideração itens como o aroma, o sabor, a acidez e a uniformidade da bebida. “Um café especial tem aroma frutado com notas de chocolate e nozes, um corpo cremoso e aveludado e uma acidez média e equilibrada. O sabor é prolongado com uma doçura de caramelo.” Para o assistente de classificação Leonardo Gabriel da Silva, da Cocapec de Pedregulho, o café especial também é mais graúdo e a diferença muitas vezes em relação a um grão comum fica perceptível visualmente.
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