Interferências a mistura que nos forma


| Tempo de leitura: 3 min
Não temos em cada canto de São Paulo um restaurante português ou africano, tem-se influência italiana a cada garfada
Não temos em cada canto de São Paulo um restaurante português ou africano, tem-se influência italiana a cada garfada
Minha filha morou um mês fora, na Alemanha, e, em quase todas as suas mensagens diárias, lia-se algum comentário a cerca das nossas diferenças culturais, de forma que fomos colecionando adversidades entre povos, brincadeira, claro. Até que um dia ela me enviou a seguinte mensagem:
 
- Mãe, matei aula hoje!
 
E eu: - Por que e com quem?
 
E ela: - Os italianos chegaram!
 
Claro, ela se sentiu em casa. E viu contrastar a cultura alemã e a italiana, quase na mesma medida que a nossa. Ainda que sejam vizinhos improváveis, sobretudo os adolescentes, nórdicos e alemães são muito diferentes dos italianos. E passamos a colecionar também semelhanças.
 
Daí me ocorreu que dentre todos os povos que se fundiram para a formação do povo brasileiro: portugueses, índios e africanos, parece ser a cultura italiana a mais influente. Pode parecer uma besteira sem tamanho, mas nossas semelhanças são inegáveis, sobretudo se estamos tratando do paulista. Embora não sejam os italianos a perna da tríade de nossa formação, embora tenham chegado tão tarde, mesmo assim os paulistas são mais italianos que portugueses, quem sabe.
 
Não é para menos, hoje contamos com pelo menos 6 milhões de descendentes de italianos, e a realidade, o que bem se vê, é que não temos em cada canto de São Paulo um restaurante português ou de comida africana, ao contrário: tem-se influência italiana a cada garfada - e não raro ela é a preferida entre tantos de nós. 
 
A socialização e difusão do macarrão, por exemplo, pode-se atribuir ao advento da industrialização. Francesco Matarazzo instalou uma fábrica de macarrão e retirou do âmbito familiar a exclusividade no fabrico, aumentou a difusão e praticamente acabou com os ambulantes e negócios familiares em torno das massas frescas artesanais. Há que se lembrar que esse fenômeno de mecanização/industrialização sempre esteve ligado à pujança italiana, do homem branco e europeu - logo, a imagem do progresso esteve colada à imagem do italiano. Que combinou muito bem ao paulista.
 
O grande Darcy Ribeiro, no seu trabalho de Hércules: O Povo Brasileiro, diz sobre a imigração que: “Conquanto relevante na constituição racial e cultural, não teve maior relevância na fixação das características da população brasileira e da sua cultura”. Penso que a realidade mostra que ele se precipitou na afirmação. A história das imigrações está em aberto: 6 milhões de descendentes italianos estão por aí aptos ainda a dar e receber influências culturais.
 
 
DICA DA SEMANA
 
Batatas
 
Se uma porção de batata frita abre seu apetite, especialmente se imaginá-las sequinhas, seguem alguns truques do site CyberCook. Comece lavando as batatas em água corrente. Pré fritura: deixe os palitos cortados em um recipiente com água, cubos de gelo e um pouquinho de sal dissolvido. Fritura: A primeira fritura deve ser dada com os palitos ainda geladinhos. Tire o excesso de água e mergulhe as batatas em óleo a 140ºC. Não mexa, apenas dê uma leve sacudida para não grudarem. Para a segunda fritura o óleo deve estar entre 170ºC e 180ºC. Pós fritura: para manter as batatas quentinhas e crocantes, forre uma assadeira com papel toalha e leve ao forno com os palitos prontos.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários