Durante a campanha eleitoral que lhe deu o segundo mandato, a presidente Dilma Rousseff (PT) repetiu o discurso (que já vinha formulando mais de um ano antes, quando definiu-se por sua candidatura à reeleição) de que a economia brasileira era forte, as denúncias de corrupção não passavam de golpe eleitoral e que os índices negativos eram apenas “flutuações’” dentro de uma chamada “margem de erro” que tornou-se a grande vedete da campanha e motivo de piadas nas redes sociais — em razão das pesquisas eleitorais que erraram feio nos dois turnos e na maioria dos Estados brasileiros. Quem a acusasse de passar uma visão edulcorada da difícil vida cotidiana brasileira, a presidente apresentava números e estatísticas, as quais falseavam deslavadamente a situação do momento.
Após o período eleitoral, a presidente precisou encarar o Brasil real, o País verdadeiro. E o cenário mostrou-se extremamente sombrio. A cada dia, surgem novas denúncias de corrupção na Petrobras, no âmbito da Operação Lava Jato da Polícia e da Justiça Federais, que Dilma tentou, sem sucesso, ignorar durante a campanha. O desemprego tem tido desempenho abaixo do esperado nas regiões mais desenvolvidas do País, enquanto a produção industrial sofre sucessivas quedas. O mesmo vem acontecendo com a construção civil, o varejo (que cresce, mas em ritmo muito abaixo dos prognósticos do começo do ano) e o setor de serviços.
Hoje, óculos cor de rosa não servem mais. O discurso positivo, menos ainda. É hora de arregaçar as mangas e partir para o trabalho. Agora, antes mesmo de tomar posse pela segunda vez, a presidente precisa agir com presteza para evitar um desastre maior nos próximos quatro anos. Dilma, que “demitiu” Guido Mantega durante a campanha, precisa cercar-se de uma nova equipe, mais afinada com os tempos em que vivemos do que à direção que a chefe da Nação considera ideal — mas que se mostrou errática neste seu primeiro mandado que expira nos próximos meses. Para se ter uma ideia da importância da nova equipe e os rumos que passarão a ser seguidos, ontem, apenas a expectativa da confirmação dos nomes fez o Índice Ibovespa (da Bolsa de Valores de São Paulo) subir 5%, enquanto o dólar fechou em baixa.
A definição dos nomes dos novos ministros da Fazenda, do Planejamento e do MDIC (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), que tiveram o anúncio adiado, é importante para fortalecer as instituições, principalmente do setor financeiro. O Brasil não pode mais se ver encalacrado numa situação sem alternativas, como a atual. O setor produtivo brasileiro se submeter a uma política econômica que tem apenas um repertório -- desonerações para ativar o consumo e reduzir a tributação de alguns setores. É necessário um número maior de medidas, capazes de estimular a produção e a exportação, além de preservar os empregos. A definição da equipe que será capaz de levar as contas do Tesouro a índices positivos sem contabilidade criativa, “pedaladas” ou projetos de lei, apresentando as suas soluções para os problemas atuais, é o que todos esperam. Do contrário, o País continuará andando para trás.
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