A Petrobras é empresa estatal de economia mista, ou seja, é empresa de capital aberto e o governo do Brasil — eu, você, o povo brasileiro que paga impostos — é o acionista majoritário.
Bem. Imagine-se você, que me lê, presidente da Petrobras, gerindo interesses em várias partes do mundo, fechando negócios multi(b)ilionários, e, mais que isso, sabendo-se aceito às mesas de negociação de países de primeiro mundo como sério, competente e capaz de proezas como prospectar e encontrar petróleo — num mundo ainda totalmente dependente do petróleo como combustível — em profundidades quase abissais do oceano.
Como você se sentiria? Muito bem? Ótimo. No entanto, tenho que lhe perguntar algo. Como agiria se soubesse que vários de seus gestores estão passando a mão em dinheiro da empresa, ou usando seus cargos para pedir propina a empresas que têm que ser contratadas para fazer andar ‘sua’ Petrobras? Se não infartasse, poderia testar-se se perguntado se, à vista de tanto dinheiro, não compensaria ser bandido — como aliás, tem muito brasileiro prestes a entrar ‘no jogo’. Não! Não faria isso porque tem berço, é sério e incorruptível? Ótimo. Podemos ir em frente. Você, então, se colocaria a buscar os maus elementos para botá-los a correr? Maravilhoso, mas eis que surgem, a contrapor-lhe, velados avisos para que releve, que a empresa deve contribuir para que o sistema se mantenha, e, você, com cargo indicado, possa se manter nele. Que reação teria? Indignado, pediria demissão, ou continuaria, já que o cargo lhe significa muito, agrega-lhe valor ? Pois bem. Os gestores da Petrobrás, nos últimos anos, ao que parece, aceitaram. Nenhum gestor sério, atento a números e balancetes veria ‘desaparecer’ cerca de R$ 21 bilhões sem fazer muito barulho. A cifra é estimada pelo banco norte-americano Morgan Stanley (http://veja.abril.com.br/noticia/economia/perda-da-petrobras-pode-chegar-a-r-21-bi-diz-morgan). É questão de lógica: viram e não agiram. Tornaram-se parte da coisa!
Reforço estes conceitos: será que você, presidente onipresente — é o olho do dono que engorda o gado —, e onipotente — a decisão é sua, e só sua — -, não haveria de saber que de sua ‘máquina empresarial’ desapareceram R$ 21 bilhões nas áreas cuidadas por diretores que você sabe de onde vieram e quem os indicou?
Os gestores da Petrobras permitiram Paulos Costas, Fernando ‘Baianos’ Soares, Renatos Duques! Ou fecharam os olhos, ou se permitiram ser corrompidos, ou foram incompetentes para gerir a empresa menina dos olhos do brasileiro. A dinheirama desaparecida, estivesse em caixa, não geraria rombos que agora a empresa, na mais natural cara de pau, quer cobrir com reajustes de preços de combustíveis, exatamente o reajuste que puxará para cima todos os outros preços. Meu avô dizia que ‘se tiver que transportar, fica mais caro’. É a inflação de volta!!!
Nosso dinheiro da Petrobras foi parar nos caixas de partidos políticos, em contas no exterior, nos bolsos de políticos bandidos e em incontáveis negociatas escusas que caracterizam o exercício do poder político no Brasil. Em palavras duras e diretas, sem papas na língua, ‘operadores’ de partidos políticos, tornados ‘diretores’ da Petrobras, furtaram nosso dinheiro e o distribuíram a quem os apadrinhou, e com o conhecimento das altas gestões da empresa, e, porque não, das altas autoridades do país. Não há outra explicação para o sumiço de R$ 21 bilhões — e pode ser mais, já que a Lava Jato apenas começou. Ninguém diz nada, ninguém viu nada, ninguém sabe de nada. Nem nós, que pelo jeito, gostamos de ser furtados.
De minha parte, não entro mais em postos da empresa. Está corrompida, tornou-se corruptora. Se restou alguém sério lá, que retome esses dinheiros dos ‘operadores’ e de seus ‘padrinhos’. Merecem-se, mas comigo não!!!
Luiz Neto
jornalista, editor de Opinião - luizneto@comerciodafranca.com.br
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