Fábio Cândido morre aos 59 anos


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Caixão com o corpo do sindicalista Fábio Cândido foi sepultado sob aplausos no cemitério Santo Agostinho, no fim da tarde de ontem
Caixão com o corpo do sindicalista Fábio Cândido foi sepultado sob aplausos no cemitério Santo Agostinho, no fim da tarde de ontem
Após 20 dias internado, o presidente do Sindicato dos Sapateiros de Franca, Fábio Cândido da Silva, 59 anos, morreu na madrugada dessa sexta-feira. Vítima de um AVC (Acidente Vascular Cerebral) no dia 1º de novembro, o quadro do líder da maior categoria profissional de Franca agravou-se devido a uma infecção. Por um longo período, permaneceu sedado e isolado no CTI do Hospital Regional. Na última terça-feira, Fábio foi transferido para o quarto e reacendeu, por pouco tempo, a esperança de seus familiares. Seu corpo foi enterrado ontem no cemitério Santo Agostinho.
 
Cândido estava em Minas Gerais quando sofreu o AVC. Primeiro, foi atendido no hospital de Passos. Depois, passou pelo pronto-socorro de Franca até ser transferido para o Regional. Com infecção e após sofrer extensa hemorragia no cérebro, os médicos alertaram que, possivelmente, o sindicalista ficaria com sequelas e que seu estado era grave. Inconsciente no CTI, as visitas também foram proibidas e os familiares passaram a vê-lo apenas pelo vidro até que, no início desta semana, ele foi transferido para o quarto.
 
O Hospital Regional apontou, de acordo com sua assessoria de imprensa, pneumonia, AVC hemorrágico, hipertensão arterial e diabetes como a causas da morte de Cândido. O óbito foi registrado por volta das 3h30. “Ninguém esperava. Todos estavam confiantes na recuperação dele. Quando o Fábio saiu do CTI e foi para o quarto, foi uma festa geral. Estavam até preparando para ele ir para a casa”, disse emocionado o amigo e advogado do sindicato, Luiz Carlos Timóteo.
 
Segundo a mulher de Cândido, Nilva Morales, o sindicalista estava melhor quando foi transferido para o quarto, mas seu quadro voltou a piorar na madrugada de quarta-feira. “Ele desceu para o quarto com pouca febre, mas de quarta para quinta voltou a passar muito mal. Foi o dia inteiro até que, à noite, ele não resistiu. Sabíamos que o caso dele era muito sério, mas ficamos muito felizes quando ele foi para o quarto. Vai ser muito difícil seguir a vida sem ele.”
 
O corpo do sindicalista foi velado no velório São Vicente de Paulo. A mãe de Fábio, Francisca Cândido, foi avisada sobre a morte do filho na manhã de ontem. Abalada e aos 84 anos, ela foi ao velório e comoveu todos os presentes. O enterro aconteceu às 16 horas no Santo Agostinho. Os cinco filhos de Cândido eram os mais emocionados durante a despedida. O sepultamento foi encerrado sob aplausos a pedido da filha mais nova do sindicalista, Yasmin: “Queria pedir uma salva de palmas pelo grande homem que ele foi”.
 
Repercussão
Amigos também se emocionaram com a morte de Fábio Cândido. “O Fábio dizia que quando ele morresse era para colocar a seguinte frase no túmulo dele: ‘Fui, mas fui sob protesto’. E nós vamos colocar. Foram muitos anos de convivência e estou abalado. O Fábio sempre foi um amigo sincero, muito verdadeiro e tudo aquilo que ele tentava era ver o que podia ser melhor para o trabalhador”, disse Timóteo.
 
Até mesmo pessoas que tiveram desentendimentos no passado com Cândido lamentaram a sua morte. “Sempre tive divergências públicas e notórias. Contudo, a luta no início dos anos 80 nos custou a cassação pela ditadura militar e, após a democratização, a anistia. Seguimos caminhos diferentes, em especial, após divisão do Sindicato dos Sapateiros. Mágoas passam e ele estará em minhas orações, bem como a sua família. Vida que segue”, disse Jorge Luís Martins, ex-presidente do Sindicato, em mensagem no Portal GCN. 
 
 

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