O polo de Franca do Projeto Guri, programa de formação musical vinculado à Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, encerra nesta segunda-feira as inscrições para o processo seletivo do grupo de referência, voltado ao aperfeiçoamento de alunos e ex-alunos.
Tido como o mais abrangente programa sociocultural especificamente voltado à formação musical de crianças e adolescentes em funcionamento no Brasil, o Projeto Guri tem apenas em Franca perto de 800 inscritos participando de 20 modalidades diferentes.
Segundo a coordenadora do polo, Regiane Fernandes, os grupos de referência podem ser entendidos como um aperfeiçoamento para quem já passou pelos estágios anteriores de formação. Criados em 2010 e existentes em 12 cidades, os GR formam os alunos em grupos específicos de instrumentos ou técnicas. Em Franca, quem passa pela seleção vai se dedicar às aulas de cavaco, violão e viola caipira, chamados de “dedilhadas”.
Diferente das crianças e adolescentes que frequentam os módulos regulares do Guri, os matriculados no GR recebem bolsas para estudar, que chegam a R$ 300 (Bolsa Performance), destinadas a alunos e ex-alunos com idades entre 11 e 20 anos, e R$ 500 (Bolsa Aprendiz), para alunos, ex-alunos, além de jovens músicos convidados, com idades entre 16 e 21 anos.
Em ambos os casos, o beneficiado deve ter 85% de frequência nas aulas para continuar recebendo o valor. A cada seis meses, uma avaliação prática é feita, quando, dependendo da nota, a continuidade pode ser renovada ou interrompida. O aluno na categoria aprendiz deve ainda ajudar na organização das aulas.
De acordo com a coordenadora da unidade de Franca, os valores recebidos são importante forma de estímulo à continuidade no programa. Não é preciso prestar contas do dinheiro recebido. Como muitos dos alunos vêm de famílias pobres, a bolsa serve até mesmo para custear o transporte, por exemplo. “Eles usam para pagar o deslocamento ou para comprar um instrumento novo”, disse Regiane.
Histórias pessoais
A estudante Isabela Cristina da Silva, 17, já participa do Guri há quase nove anos. Destes, três foram no grupo de referência. Moradora do Polo Clube, Isabela, filha de um carteiro e de uma funcionária da Santa Casa, conta que não gostava da ideia de ter que aprender a tocar um instrumento e que chegou ao programa por pressão dos pais. Hoje, afirmou, a relação é outra.
Três vezes por semana lá está ela com sua turma ensaiando. O dinheiro recebido mensalmente tem destino certo: o cofre. A poupança vai servir para ela comprar um violão novo.
Vitória Nogueira, 16, cujo pai é empresário, participa há menos tempo, perto de três anos. Chegou ao projeto sabendo tocar violão sertanejo, mas teve que se dedicar nas aulas do instrumento clássico.
Nos dois casos, a vontade é a mesma: matricular-se em uma faculdade de música. A reação não vem por acaso. Para Regiane Fernandes, quando começa a frequentar os cursos, a criança ou adolescente muda até mesmo o comportamento. Não são raros os depoimentos de pais relatando avanços até mesmo na escola.
Inscrições
Fora dos grupos de referência, a chance de começar a aprender a tocar um instrumento, praticar aulas de canto e coral, ou, para os mais novos, ter aulas de musicalização, tudo gratuitamente, vem no começo de cada ano com as inscrições para os cursos regulares.
A má notícia fica para os pais que querem matricular os filhos nas aulas de piano e violão. Há três anos Franca não oferece novas vagas para esses instrumentos. Como são os mais procurados, a fila de espera é grande e para conseguir um lugar há quem se matricule em outra modalidade até que surja uma oportunidade.
Parte do problema é explicada pela quantidade de alunos. Franca é o segundo polo mais procurado, perdendo apenas para Sorocaba. Com isso, o período de inscrições, que normalmente é de uma semana, em Franca é de apenas um dia.
Em fevereiro, quando tradicionalmente as inscrições são feitas, uma longa fila de pais aflitos começa a se formar ainda antes do dia clarear. Como as inscrições são feitas por ordem de chegada, já houve quem dormisse ali para garantir o lugar.
Para saber quais cursos são oferecidos, condições para participar e acompanhar o calendário de inscrições, o site do programa é www.projetoguri.org.br.
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