Como sempre, o silêncio


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Os erros da Prefeitura Municipal no setor de saúde já ocasionaram mais de um processo aberto pelo Ministério Público. No momento, correm ainda os processos envolvendo a ‘fábrica de horas extras’ denunciada pelo MP do Trabalho. Neste caso, médicos recebiam pagamento extra sem que tivessem cumprido a jornada. O atendimento era por lote e muitos deles conseguiam até triplicar os vencimentos mensais com esta prática. Franca só ficou conhecendo a situação graças à reportagem do Comércio, que publicou a matéria e escancarou mais uma irregularidade no setor, que já foi dirigido pelo atual prefeito Alexandre Ferreira (PSDB). Há ainda as mortes suspeitas envolvendo a saúde pública local, sobre as quais a Prefeitura se cala e não há qualquer informação a respeito. Os familiares das vítimas (segundo o último levantamento, já são nove em dois anos) ainda esperam uma resposta, nem que seja judicial já que em praticamente todas elas um inquérito policial foi aberto.
 
Agora, mais outra irregularidade que demonstra claramente a incompetência e a má-fé dos gestores públicos que cuidam da saúde no município. A Prefeitura voltou a ser alvo de investigação por parte do MPE (Ministério Público Estadual), pouco mais de um mês após reportagem do Comércio denunciar que o Executivo municipal estaria mantendo como ativos servidores mortos, aposentados e demitidos no setor de saúde. Tudo isso para inflar os dados no Cnes (Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde), a fim de maquiar a falta de profissionais em serviços essenciais. Do contrário, seriam cortados os repasses de verbas do Ministério da Saúde.
 
Como a população sente na pele todos os dias, faltam profissionais médicos para atenderem de forma satisfatória nos ambulatórios e Pronto-socorros geridos pelo Município. Além disso, a insuficiência de enfermeiros tem levado técnicos de enfermagem a atuarem como aqueles, de acordo com denúncia do presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Franca Luís Fernando Nascimento. Segundo ele, os técnicos estariam realizando procedimentos aos quais não são autorizados, como aplicação de vacinas.
 
Assim como em todas as denúncias que envolvem irregularidades na administração municipal, mais uma vez o prefeito e seus assessores se calam. Será que acreditam que o fato não existirá se não for citado (como se fazia antigamente ao se negar a falar de doenças graves, como o câncer)? Fato é grave e como bem lembrou um leitor do Portal GCN, em postagem realizada ontem, Alexandre Ferreira está incorrendo em um ato de improbidade administrativa, o que lhe pode custar o cargo. Falsear dados num discurso ou numa entrevista pode até ser considerado normal na administração pública brasileira — até a presidente e seus auxiliares fazem isso —, mas falsificar dados oficiais é considerado crime. Ele pode até ser processado criminalmente por causa disso. Se não quer explicar à população que lhe deu o posto de prefeito, certamente terá que dar satisfações à Justiça.
 
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