Negros com ensino superior em Franca mais que triplica em dez anos


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Jhennifer Cristiane de Oliveira, 23, diz que seus próprios pacientes se surpreendem quando ela diz que é dentista
Jhennifer Cristiane de Oliveira, 23, diz que seus próprios pacientes se surpreendem quando ela diz que é dentista
O número de negros ou pardos com ensino superior completo em Franca sofreu um salto expressivo na última década. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), em 2000 apenas 774 pessoas autodeclaradas pretas ou pardas na cidade possuíam curso de graduação completo. Dez anos depois, esse total mais que triplicou e 2.486 pessoas negras ou pardas já haviam se formado em algum curso de nível superior.
 
Para a presidente do Comdecon (Conselho Municipal de Desenvolvimento e Participação da Comunidade Negra) de Franca, Mariana Coelho Rosa, o aumento é devido, principalmente, às facilidades para o acesso à faculdade com a criação do ProUni (Programa Universidade para Todos), do Fies (Financiamento Estudantil) e dos programas de cotas raciais existentes em algumas instituições. “As políticas públicas educacionais favoreceram esse acesso, e o crescimento de negros nos bancos escolares das faculdades é nítido.”
 
De acordo com a pesquisa, no mesmo período, a quantidade de brancos com diploma superior subiu de 12.639 para 22.549, um crescimento de 77,6% diante dos mais de 200% de crescimento dos negros formados.
 
Ainda segundo Mariana, a população negra atualmente também tem se preparado mais e enfrentado as adversidades em busca de uma melhora de vida. “Antes, as famílias consideravam ser muito difícil um negro na universidade. Hoje é diferente, houve uma conscientização e há mais possibilidades.”
 
Percepção semelhante tem a professora do Departamento de Serviço Social da Unesp Franca, Onilda Alves do Carmo. Segundo ela, os programas e financiamentos particulares possibilitaram conquistas antes inimagináveis. “Os números comprovam que essas políticas, como a lei de cotas, são necessárias, porém, não devem ser definitivas. É preciso lutar por melhorias na educação, para que ela seja de qualidade e de condições a todos.”
 
Bolsista durante todo o ensino médio, Jhennifer Cristiane de Oliveira, 23, hoje é formada em odontologia graças ao Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e ao ProUni. “Prestei o Enem e obtive uma nota que possibilitou 100% de bolsa no curso de odontologia, precisei pagar somente o material”, disse a jovem que era a única negra nos quatro anos de graduação. “Antes via o curso como impossível, em razão do preço da mensalidade, mas as oportunidades aumentaram. Na minha família não havia ninguém com ensino superior e hoje já somos em três. Corri atrás, e hoje os pacientes se surpreendem quando digo que sou a dentista.”
 

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