Ruas e o fim da propina


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Dirigentes e altos executivos de empreiteiras estão presos e revelando a quem deram propina para conseguir obras custeadas pelo governo e empresas estatais. O foco é a Petrobras, mas suspeita-se, a roubalheira via também ao setor elétrico. Se não ‘molha a mão’ do propineiro colocado em alto cargo de nomeação política, a empreiteira não trabalha. Segundo fontes bem informadas há 70 políticos beneficiários dos milhões desviados da Petrobras. 
 
Dois empresários pediram delação premiada, e deram nomes dos beneficiários de suas propinas. Não ignoram que estão com problemas e se fizerem como fez o publicitário Marcos Valério — que não declinou os nomes de seus parceiros do mensalão — poderão restar, como ele, condenados a elevadas penas enquanto políticos receberão condenações brandas e se livrarão logo da cadeia.
 
Recursos que poderiam ser reinvestidos em outras obras vão para os bolsos dos ladrões do povo. Isso tem que ser varrido do meio público-empresarial brasileiro. A Operação Lava Jato significa a oportunidade de saneamento econômico e moral do país. A firmeza do juiz federal Sergio Moro, o comprometimento do MP e o profissionalismo da Polícia Federal dão a base para essa verdadeira profilaxia. Com certeza, levarão aos tribunais vasto conjunto de provas para o julgamento dos envolvidos, mesmo os que têm foro privilegiado.
 
Oxalá as apurações se estendam às obras de hidrelétricas, aeroportos, estradas, trens, metrôs, e alcancem também Estados e municípios. O dinheiro público e de estatais, de finalidade pública e carimbada, precisa ser protegido. Quem desvia comete crime contra a sociedade e não pode ficar impune. Em tempo: há de se entender a Operação Lava Jato como obra de justiça e polícia. Enganam-se os que a classificam como ação de governo, assim como os que, com ela, pretendem derrubar o governo. É, sem dúvida, ação encampada pelo povo que tem saído às ruas em seu apoio. Acabar com a corrupção está acima de todo viés político ou ideológico. É prioridade geral...
 
Dirceu Cardoso Gonçalves
Tenente, diretor da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo
 

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