Em que País vivemos? Que temos uma população solidária e que não se furta em ajudar os menos aquinhoados com a sorte, é uma verdade absoluta. Mas, ao mesmo tempo, aqueles que são eleitos para buscar soluções para os problemas do brasileiro se furtam de cumprir as suas atribuições — e muitos deles rapinam os cofres públicos em benefício próprio. Vivemos num País de contrastes, mas com um potencial enorme para tratar seus filhos com humanidade. O governo federal destaca os programas sociais, que tiraram milhões da miséria, mas não faz nada além disso. Brasileiros ainda continuam morrendo à espera de atendimento médico, de autorizações judiciais ou da solidariedade dos que os cercam.
Vários casos já foram relatados pelo Comércio ao longo de sua quase centenária história. As poucas vitórias na luta contra um sistema de saúde perverso, onde apenas os que têm condições podem fazer frente aos males de seu corpo, não são capazes de encobrir as mortes dos que dependem do sistema público. Como o administrador Ronaldo Duarte Pimenta, de apenas 30 anos, que morreu à espera de uma cirurgia bariátrica, meses atrás. Ele vendeu tudo o que tinha e contava com a venda dos números de uma rifa para custear um tratamento particular.
Ou então a advogada Carolina Parzewski Guimarães Vivenzio, que precisou passar por um embate na Justiça para mudar para derrubar uma portaria do Ministério da Saúde que limitava a o número de cadastros mensais de doadores de medula por município. Ela conseguiu a doação de medula que precisava, de sua própria mãe, mas já era tarde: morreu dias atrás. Ou então a garotinha Ana Laura Alves Silva, que morreu antes de também receber uma doação de medula. O doador apareceu no dia de sua morte, em fevereiro de 2013.
Se ficássemos aqui apontando os números somente aqui de Franca, teríamos material para edições seguidas desta folha. Nos últimos anos, pelo menos oito mortes suspeitas ocorreram em Franca, relacionadas ao sistema público de saúde, as quais até hoje não foram explicadas devidamente. Agora, surgem os familiares do pequeno Cauã Marques, de apenas dois anos, que lida há cerca de dois meses com os efeitos do tratamento a que se submete contra um retinoblastoma, câncer raro alojado em seu olho direito, conhecido também como Síndrome do Olho de Gato.
Com pai desempregado e mãe dona de casa, mesmo contando com plano de saúde que banca as despesas do menor em hospital especializado na capital paulista, a família precisa fazer uma rifa para custear as suas despesas na capital. Só com o dinheiro desviado na Petrobras, milhares de Cauãs teriam uma vida mais fácil. Que País é este? Só seremos uma Nação séria e respeitada quando passarmos a agir com seriedade e respeito com todos os brasileiros, de qualquer idade ou classe social. Do contrário, continuaremos integrando o grupo de países terceiromundistas, onde quem menos tem condições econômicas não encontra vez, voz ou reais defensores.
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