A Prefeitura de Franca e a empresa São José continuam optando pelo silêncio na hora de esclarecer o motivo de ao menos quatro linhas de ônibus operadas pela concessionária continuarem rodando sem cobrador dez dias depois de denúncia feita pelo Comércio. A reportagem circulou novamente em carros das linhas Seminário/Rodoviária, Vila Imperador/Janjão, Francano/Consolação e Pinhais/Francano na última sexta e segunda-feira e flagrou mais uma vez a cobrança da passagem sendo feita pelo motorista. Segundo disse há duas semanas, o presidente da Emdef (Empresa Municipal para o Desenvolvimento de Franca), Sílvio de Oliveira, os ônibus que passam pelo Terminal “Ayrton Senna”, as chamadas linhas radiais, devem ter cobrador.
O Comércio da Franca publicou no dia 7 de novembro reportagem relatando a falta de cobrador em ao menos quatro linhas de ônibus que passam pelo Centro. Na ocasião, a empresa São José e a Prefeitura não se pronunciaram sobre a irregularidade. Dez dias após a denúncia, a reportagem voltou a flagrar carros dos mesmos trechos apenas com o motorista e novamente as autoridades ficaram caladas.
A assessoria de imprensa do executivo municipal, a diretoria da Emdef e a São José foram procuradas diversas vezes por telefone e também por e-mail na última segunda e terça-feira. Apesar de terem confirmado o recebimento das mensagens eletrônicas, a reportagem não recebeu nenhum posicionamento até o fechamento desta edição. O presidente da Emdef também foi procurado por meio de seu celular, mas as chamadas não foram atendidas.
No início do mês, Oliveira afirmou que a Emdef é o responsável por fiscalizar o transporte coletivo em Franca e que, de acordo com contrato assinado em 2009, todas as linhas têm que ter cobrador com exceção das interbairros (que não passam pelo Terminal). Na época, a assessoria de imprensa da Prefeitura também confirmou que os acordos com a São José preveem a presença de cobradores e que os usuários podem comunicar a ausência do serviço no posto de atendimento da Emdef no “Ayrton Senna”.
Flagra
A falta de cobrador foi registrada em vídeo nas quatro linhas citadas nos dias 14 e 17 de novembro. As roletas dos coletivos haviam sido colocadas logo após a escada na porta de entrada dos ônibus e os próprios motoristas eram os responsáveis por receberem o dinheiro, dar troco, além de liberar a catraca para os passageiros com cartão.
De acordo com o motorista do carro que operava no trecho Seminário/Rodoviária, a mudança havia acontecido há poucos dias. “Foi recente. Não gostei assim, não”, disse o trabalhador que era obrigado a desviar a visão da rua para olhar para a roleta e conferir se os passageiros haviam passado o cartão. O motorista da linha Vila Imperador/Janjão afirmou que ao menos sete carros estavam operando sem cobrador nos últimos dias.
Além dos flagrantes feitos pela reportagem, o pedreiro Agnelo de Castro, 48, afirmou ter circulado em um ônibus cujo letreiro dizia Samel Park enquanto seguia do trabalho (no Residencial Nova Franca) para casa (no Jardim Francano), na tarde do último sábado, 15. Para Castro, a falta do cobrador coloca em risco a vida dos passageiros. “O motorista não sabia se ele olhava para frente, se recebia o dinheiro ou se pegava as moedas que caíam no chão com o balanço do ônibus.”
O pedreiro disse ainda que o condutor do coletivo chegou a cometer infrações de trânsito durante o tempo que ele passou dentro do ônibus. “Ele passou pelo menos duas vezes no sinal vermelho, além de correr muito. Para mim, ele fez essas coisas porque atrasou por ter que ficar pegando o dinheiro e dando troco.” Para Castro, a função do cobrador não é apenas receber o valor das passagens. “O cobrador tinha aquele elástico que ele avisava quando o motorista podia sair da parada. Sábado, o motorista não tinha esse auxílio e chegava a fechar os carros na hora de sair do ponto.”
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