Analistas especializados em economia são quase unânimes: a recuperação da atividade econômica brasileira deverá acontecer, mas de uma forma lenta e gradual. Ou seja: a economia só deverá voltar a crescer em longo prazo, a partir de 2016. Para 2015, o cenário não deverá ser muito diferente do observado atualmente, com retração nos investimentos, queda na produção e no emprego e, para piorar, retração no consumo. Os índices inflacionários, principalmente em razão da falta de resposta do governo ao seu crescimento, deverão ainda se manter acima da meta, Até agora, embora tenha anunciado corte nos gastos do governo — e prometendo poupar os investimentos em infraestrutura e nos programas sociais —, a presidente Dilma Rousseff (PT) ainda não deixou claro o que pretende fazer para melhorar a atividade econômica no seu segundo mandato.
A incerteza do período eleitoral ficou para trás, mas os rumos do investimento na economia brasileira ainda devem levar tempo para mudar. A expectativa é de melhora a partir do segundo semestre do ano que vem. Com a confiança em baixa, o empresariado manterá o pé no freio até receber um sinal firme de mudança por parte do governo. Em 2014, a expectativa é de um tombo de 7,3% na Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF, medida dos investimentos no Produto Interno Bruto). O resultado deve se manter em terreno negativo também em 2015, de acordo com previsão do Ibre/FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas).
Não há perspectivas de melhora em curto prazo, a não ser que Dilma Rousseff tire da cartola uma nova equipe econômica capaz de apontar alternativas que permitam ao setor produtivo brasileiro deslanchar de forma surpreendente. Caso mantenha a mesma linha adotada até aqui — estimular o consumo através da desoneração de impostos —, a qual se mostrou eficaz apenas no início mas depois não causou qualquer impacto na atividade econômica, causando retração na arrecadação da receita, causando mais estragos do que benefícios. A questão agora passa, sim, pelo corte nos gastos do governo e parcimônia no crédito a juros subsidiados. Do contrário, o Planalto não conseguirá sair do buraco no qual se meteu.
O corte nos gastos, caso ocorra da maneira como foi feito até agora, pode se tornar inócuo se atingir apenas emendas parlamentares — o que pode causar uma chiadeira junto aos parlamentares da base aliada, impactando quase que irrecuperavelmente no apoio junto ao Congresso —, mas precisa atingir a própria carne, como os cargos comissionados e investimentos ainda não iniciados. Além disso, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) precisa priorizar o setor produtivo brasileiro que, sem crédito barato, está adiando os investimentos, impactando toda a cadeia, dos empregos ao consumo. A economia brasileira depende de um remédio muito amargo para deixar a Unidade de Terapia Intensiva na qual foi confinada ao longo do primeiro mandato de Dilma Rousseff. Cabe à presidente ministrá-lo sem demora.
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