O PT cobra ministério ‘mais qualificado’, o PMDB quer ministério ‘mais importante’. As agremiações da presidente e do vice-presidente da República querem mais espaço.
Em princípio, é normal. Teoricamente, são ‘sócios’. Ocorre que a montagem do governo também passa também pela fisiológica base aliada.
Ministérios, secretarias, altos cargos e posições importantes em empresas estatais acabam nas mãos de derrotados nas últimas eleições ou de cabos eleitorais dos que, não aquinhoados, negarão votos parlamentares a projetos do governo. É aritmética muito mal vista pela população.
Os conchavos que se noticiam na fase de montagem do ‘novo’ governo são divergentes do que se pregou na campanha.
O regime de coalizão vigorante desde a ‘Nova República’ atende a interesses das castas políticas ao invés de atrair para as posições-chaves as inteligências que garantiriam bom desempenho das tarefas.
Em resultado, temos o empresariado descontente, a população descrente e péssima qualidade imprimida aos serviços públicos. Somos o país que menos cresce na América Latina.
Os eleitos têm o dever de conduzir o país para a sustentabilidade. O governo — federal e estaduais — tem o dever de bem administrar, criar condições adequadas ao funcionamento da economia e prestar os serviços essenciais que são de direito da população.
A classe política, quando na situação, tem o dever de sustentar o governo e, quando na oposição, fiscalizar. Toda vez que um político troca voto por cargos, perde sua essência, tornando-se reles mercenário.
Temos tempos difíceis pela frente. Governo e políticos — de situação e de oposição — vão precisar de muito juízo em seus passos.
Se não tiverem, dificilmente conterão a voz das ruas e de setores que não suportam mais o clima de insegurança e incompetência governamental e política.
É preciso, no mínimo, fazer política com ‘P’ maiúsculo...
Dirceu Cardoso Gonçalves
Articulista
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