Voltando à vaca fria


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Na Austrália desde o meio da semana, a presidente Dilma Rousseff (PT) deu mais uma mostra de que não pretende assumir a incapacidade de seu governo em controlar a economia brasileira. Com isso, as contas não fecham — e ela prefere criar uma manobra capaz de acabar com o teto da meta fiscal, depois de anos de “contabilidade criativa” e meses de “pedaladas” —, o setor produtivo vive batendo às portas do Planalto de pires na mão e a tributação atinge o brasileiro de forma inclemente, penalizando os que ganham menos com a cobrança cruzada de impostos, que não atinge só a renda, mas também o consumo. Ou seja: descemos ladeira abaixo a cada dia (e os indicadores mais recentes mostram isso), com a perspectiva de se chegar a um crescimento zero no final deste ano.
 
No sábado, porém, na abertura da reunião do Brics (grupo de emergentes que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), a presidente Dilma culpou os países desenvolvidos pela piora das contas externas brasileiras. Em discurso, defendeu que a falta de força das economias ricas não gera demanda para estimular países emergentes. Desde quando Luiz Inácio Lula da Silva era o presidente, o governo brasileiro nunca assumiu os próprios erros. Dilma vem repetindo, mês após mês, a mesma estratégia. Os problemas da economia brasileira decorrem da falta de ação em alavancar o setor produtivo, que carece de investimentos para ampliar a oferta de empregos.
 
Sem uma política externa clara, que exponha ao mundo as prioridades do País, a indústria brasileira vem perdendo espaço junto ao mercado consumidor global, o que se agrava com uma política cambial que tenta, artificialmente, manter o valor do dólar baixo para estimular os investimentos externos. Falta uma atenção maior para quem investe e produz dentro do País. O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), além de ser usado como âncora para fechar com superávit as contas do Tesouro (assim como o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal), tem sido alvo de desconfiança ao aprovar créditos bilionários a empresas como os grupos de Eike Batista e ao JBS, com juros subsidiados, enquanto pequenas e médias empresas precisam recorrer aos bancos privados para investir ou cumprir seus compromissos, com juros de mercado, entre os mais altos do mundo.
 
Dilma Rousseff precisa fazer uma reflexão e admitir que a condução da economia brasileira, além de temerária, segue um caminho errático. Falta estratégia, falta planejamento, faltam prioridades. As instituições públicas estão sendo usadas como mero balcão de negócios, privilegiando os amigos e abandonando quem realmente produz em nosso País. O caso Petrobras é bastante esclarecedor: muito dinheiro do contribuinte brasileiro está recheando bolsos de quem não deveria. No final, nós mesmos teremos que pagar a conta de tanto desmando, tanta corrupção. Sairá dos rendimentos da população o dinheiro que irá cobrir os rombos deixados na nossa maior empresa estatal, além dos créditos destinados aos ‘amigos do rei’ como Eike Batista, hoje falido e sem dinheiro para restituir o que pegou nos cofres do BNDES.
 
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