Há cerca de dez anos, o professor Alexandre Enge, hoje com 36, tratava uma séria lesão em seu joelho direito. Na época, o médico chegou a lhe dizer que sua cura dependia de cirurgia. Temeroso em relação a operação e por indicação de amigos, Alexandre decidiu buscar tratamento no IMA (Instituto de Medicina do Além) em Franca. “Por meses fiquei sem andar direito. Usei gesso por mais de um mês por conta do problema. Fiquei com medo de operar e procurei o IMA. Hoje em dia faço musculação e treino corrida e quando corro sinto dor no joelho que não foi operado no IMA.”
Alexandre Enge é um dos pacientes atendidos pelo IMA. Neste domingo, a série especial do Comércio sobre o instituto aborda o principal serviço que oferece gratuitamente: o tratamento com cirurgia espiritual.
Em julho deste ano, Alexandre voltou ao IMA em busca de tratamento para sinusite. “A doença estava crônica. Estava tomando muito medicamento o que conserta de um lado, mas estraga de outro. Não aguentava mais aquele mal estar que essa quantidade de remédios me causa. Estava tratando a consequência e não a causa.”
Por cerca de dois meses, o professor passou pelo tratamento no IMA que pode ser dividido em três etapas. Durante a consulta espiritual, primeira etapa, Alexandre e os demais pacientes ficam sentados em uma cadeira de plástico branca enquanto um voluntário os questiona sobre quais são as enfermidades que ele deseja tratar. O público é dividido em homens e mulheres e cada sala de consulta recebe cerca de 60 pacientes por vez. Nesse momento, o médium e fundador do IMA, João Berbel, caminha entre as fileiras de pacientes, coloca a mão sobre a cabeça de cada um, e escuta dos voluntários qual é o problema de cada paciente. Ele ainda informa qual medicamento fitoterápico, fornecido gratuitamente pelo IMA, a pessoa deve ministrar. O médium conta que na verdade o público é atendido pelo espírito do médico e ex-prefeito de Franca Ismael Alonso y Alonso, morto em 1964.
“Na mediunidade de cura, recebo e manipulo as energias do Doutor Alonso, e passo aquilo para as pessoas. Imagine que você está sonhando. Quando você acorda de um sonho, tem coisas que você lembra e outras não. Quando você está no sonho sabe que é você, mas você está sendo levado. Quando recebo o espírito do Doutor Alonso acontece mais ou menos assim”, disse Berbel.
Cirurgia
O segundo passo do tratamento espiritual é a cirurgia. Para passar pelo procedimento, os pacientes devem fazer jejum de qualquer tipo de carne, bebida alcóolica e cigarro sete dias antes e quinze dias depois da operação. “Tem que passar por uma preparação, tomar os remédios fitoterápicos e fazer uma ‘higienização mental’”, disse João Berbel.
Em dia de cirurgia, as mesmas salas onde são colocadas as cadeiras para a consulta recebem macas. Os pacientes novamente contam sua doença para um voluntário que prepara os atendidos para o procedimento.
A cirurgia espiritual dura cerca de um minuto e não tem corte. João Berbel disse que é orientado pelo espírito do Doutor Alonso. Para a cirurgia coloca um algodão banhado em um líquido com cheiro de álcool e eucalipto em alguns pontos do corpo do paciente. O médium é seguido por voluntárias que prendem o algodão molhado no corpo da pessoa com esparadrapo. Nesse momento acabou a cirurgia. Os pacientes são orientados a manter o curativo por três dias além de fazer repouso nesse período. “É um procedimento muito diferente da cirurgia convencional. É muito rápido e depois que termina a gente fica com a impressão de não ter acontecido nada. Diferente de rituais de outras religiões, a cirurgia espiritual não tem um ritualismo. São apenas alguns gestos e acredito que naquele momento acontece a cirurgia”, disse Alexandre.
O terceiro passo do tratamento espiritual do IMA são os retornos. Os pacientes são orientados a passarem por ao menos duas sessões após a cirurgia. “Elas devem passar pelo IMA até o Doutor Alonso dar alta a elas.”
O procedimento praticado no retorno é semelhante ao da consulta. Os pacientes ficam sentados e João Berbel passa por cada um colocando a mão sobre suas cabeças e informando sobre a continuidade ou fim do tratamento.
Casos
Alexandre Enge acredita no tratamento. “Por demorar mais, às vezes a gente tem a impressão de que a cirurgia espiritual não funciona. Mas na verdade funciona ao longo do tempo e trata a causa e não a consequência”, disse ele.
O professor confessa que teve dúvidas do sucesso do tratamento no IMA em ambas passagens que fez pelo instituto, mas nunca perdeu a fé. “Não sou espírita, mas o que sei é que hoje o joelho que tratei no IMA é melhor do que o outro. Para mim o tratamento é uma questão psicológica, de fé, e não está ligado à religião. Acreditar que vai dar certo é muito importante. Esse é o segredo. Acredito que a própria pessoa se cura. Mas acredito também na ação desse plano invisível. É um trabalho legítimo.”
A secretária Bruna Villela, 20, mora em Ribeirão Preto e durante três meses se deslocou cinco vezes até Franca para fazer seu primeiro tratamento no IMA. Ela conta que sofria de adenoidite (infecção de adenóide) - e considera que seu problema melhorou cerca de 90% depois que passou pela cirurgia espiritual. “Tinha dificuldade para respirar e meu nariz e ouvido entupiam com frequência. Hoje estou respirando muito melhor.”
A família de Bruna segue o espiritismo e ela tomou conhecimento do IMA em um centro espírita que frequentava em Araraquara. A secretária conta que ficou admirada com o trabalho realizado no Instituto. “Acho muito bonito pois ajuda o próximo. As pessoas não ganham nada para estarem lá e são muito simpáticas.” O IMA tem sede no Recreio Campo Belo.
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