Corpos prateados, malabares a postos, luz vermelha acesa e ação. Chegou a hora das estátuas humanas, malabaristas e artistas que escolheram a rua como palco iniciarem o show e venderem seus espetáculos ao público no interior dos carros, sobre as motos ou até mesmo para aqueles que foram atraídos pela apresentação enquanto circulavam pelas calçadas. Difícil é alguém ficar inteiramente alheio a apresentações nos semáforos. Quem não contribui deixa ao menos um aceno, uma buzinada e, quase sempre, um sorriso.
O espetáculo não tem hora marcada, nem mesmo local definido. Em meio as andanças por diversas cidades, Franca tem sido escolhida por muitos destes artistas. Os pontos são variados, mas os preferidos estão nas avenidas Ismael Alonso y Alonso, Major Nicácio e Hélio Palermo.
Pela segunda vez, Edson Peressa, 32 anos, passou por Franca para mostrar suas habilidades de estátua viva. Como de costume, o tempo de permanência foi curto, apenas quatro dias, mas a cidade continua em sua rota e ele deve retornar em breve. “Franca é uma cidade muito boa para nós artistas de rua. A população tem um coração enorme e devido a isto tenho a intenção de voltar.”
Natural de Porto Velho, Rondônia, Edson é artista de rua há 10 anos. Além de ter confeccionado a fantasia que usa como estátua viva, ele também se pinta sozinho todos os dias para iniciar suas atividades e entrar no clima do personagem. A maquiagem é feita na calçada mesmo e não leva mais que dez minutos para ficar pronta. “Eu mesmo que me arrumo. Minha fantasia é do Teixeirinha, um músico do Rio Grande do Sul. Vi a estátua dele quando estive em Passo Fundo e resolvi fazer uma para mim.”
O tempo de trabalho diário é variado. O que define a hora de encerrar o expediente é a quantia arrecadada. O dinheiro precisa ser suficiente para, pelo menos, pagar as despesas do dia. “É mais pelo dinheiro e não pelo tempo. Fico pelo menos cinco horas por dia. Pago hotel, almoço, café da manhã, jantar e os itens que utilizo para fazer a maquiagem. Se for colocar na ponta do lápis é bastante. Mas é muito imprevisível. Teve dia de ir trabalhar e ir embora com R$ 4, R$ 5.”
Apesar das dificuldades, de abrir mão da família e dos amigos, a vida de artista de rua é chave de uma vida feliz para Edson. Separado, ele é pai de um menino de 11 anos que encontra apenas duas vezes por ano. “Tenho muito pouco tempo com meu filho, mas ao mesmo tempo não me vejo fazendo outra coisa. Acostumei a conviver com o público, a viajar, conhecer pessoas novas e culturas diferentes.”
Parceria
Em uma das viagens realizadas a trabalho, Edson encontrou um parceiro de profissão. Assim como em outros locais, Jonas Lopes Medeiros, 27 anos, o acompanhou na vinda a Franca e também despertou a atenção daqueles que passaram pelos semáforos da cidade com sua fantasia de robô, confeccionada por ele mesmo e ornamentada com equipamentos de computador. “Já tem uns oito anos que trabalho como estátua viva. Comecei trabalhando com o Edson. Fazia artesanato na rua em Brusque, Santa Catarina, quando o conheci. Aprendi algumas técnicas e fui me aperfeiçoando.”
Natural de Cruzeiro, interior de São Paulo, Jonas também não possui endereço fixo. “Amo o meu trabalho. Não me vejo fazendo outra coisa. Adoro interagir com as pessoas, principalmente com as crianças.”
Este amor com as crianças é retribuído nas ruas. Os pequenos são os que mais ficam fascinados com a apresentação de Jonas, que usa e abusa da criatividade. Além da fantasia, uma voz robotizada também faz parte dos itens que compõem o seu personagem. “Fiquei alguns anos treinando. Peguei alguns apitos, coloquei na boca e ficava tentando falar. No começo foi difícil, mas hoje acostumei e as pessoas ficam impressionadas perguntando como consigo fazer isto.”
A habilidade e rapidez com que realiza os movimentos com malabares e bolinhas também mostram a intimidade que o argentino Javier Torme, 42 anos, possui com a profissão que exerce. Ele brinca com os instrumentos de trabalho como se fosse algo simples de executar. “Sou feliz por viver fazendo arte na rua.”
Franca também faz parte da rota do argentino. No mês passado ele esteve na cidade e fez de algumas faixas de pedestres um picadeiro. Ele pretende voltar. “Já vim a Franca algumas vezes e a cidade sempre me encanta. Gosto de trabalhar aqui.”
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