Trabalhar apenas seis horas diárias, em ambiente climatizado, vencimentos acima do verificado no mercado francano e poder contar com o respaldo de uma empresa com penetração nacional e que oferece ampla gama de benefícios, incluindo plano de carreira. Esse poderia ser o emprego dos sonhos. Não para parte dos trabalhadores locais.
Uma empresa de recrutamento dispõe de 70 vagas por mês a serem oferecidas a pessoas com idade acima de 18 anos (não há limite máximo), com segundo grau completo e boa oratória. Nem a falta de experiência é empecilho para eventuais interessados, pois é dado treinamento de capacitação - e remunerado - antes mesmo do contato com o público.
Rosângela Baldini Silva, coordenadora de recursos humanos da Agiliza, explica o objetivo do empregador. “É uma proposta nova. O serviço é de atendimento ao cliente e eles querem pessoas que aceitem desafios, todos os dias. O serviço é em dois turnos - das 8 às 15 horas e das 15 às 21 horas -, sendo que o profissional fará esquema de 6 dias trabalhados por um de descanso (uma vez por mês, no domingo). Com benefícios (alimentação e transporte, entre outros), o salário deve chegar a R$ 1.380”, contou. No total, essa empresa deve contratar mil pessoas. A seleção é feita por metas e 300 já finalizam um período de treinamento.
A surpresa veio diante da negativa de inúmeros candidatos ao saberem do trabalho aos sábados e do horário do segundo período diário. O trabalhador francano acostumou-se com características que podem ser atribuídas às fábricas de calçados, ou seja, trabalha-se das 6 às 17 horas e de segunda a sexta. Novas realidades exigidas pelo mercado são rechaçadas. O reflexo se vê na dificuldade em preencher essas vagas. “Há campo fértil para pessoas que acreditam em si”, diz Baldini. “As pessoas precisam quebrar estes paradigmas. Essa mudança na questão da disponibilidade de horários é uma tendência”, comentou.
Inicialmente, foram feitas entrevistas com 3.500 pessoas. Menos de 10% foi aprovado. A ordem agora é encontrá-las onde estiverem. “Hoje, vamos às universidades e escolas técnicas. Nosso trabalho agora é de caça-talentos”, finalizou.
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