‘É muito triste ver o clube que você ama passar por essa situação’


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Sócio-torcedora número 1 do clube, a aposentada Hilda Couto da Silva
Sócio-torcedora número 1 do clube, a aposentada Hilda Couto da Silva
O Franca Basquete atravessa uma grave crise financeira. Sem um patrocinador máster desde a saída da Vivo e com salários atrasados de atletas e funcionários, a diretoria escancarou toda situação, e não nega o risco de encerrar as atividades no decorrer do Novo Basquete Brasil. A notícia repercutiu nacionalmente e deixou em estado de apreensão os torcedores apaixonados pelo basquete na cidade. 
 
Torcedora símbolo e sócio-torcedora número 1 do clube, a aposentada Hilda Couto da Silva, se diz triste com a situação vivida pelo time. Mesmo diante desse cenário de tensão, dona Hilda, de 72 anos, confia em uma reviravolta. “É difícil para nós torcedores depararmos com esse momento de crise. É muito triste ver um clube que você ama passar por essa situação. O basquete representa tudo em minha vida. Tenho a confiança e acredito que vamos sair dessa.”
 
Sem perspectiva no mercado para chegada de um patrocinador máster para este ano, a diretoria do Franca Basquete resolveu recorrer aos torcedores para buscar dinheiro e amenizar o momento de turbulência atravessado fora de quadra. Com uma dívida estimada de R$ 1,5 milhão, a situação chegou a um nível insustentável e o clube convive com a ameaça de ver sua tradição, construída em mais de 60 anos, ser bruscamente interrompida. A meta é alcançar um número de quatro mil pessoas no ginásio em dias de jogos no NBB e aumentar a adesão ao programa sócio-torcedor. O ideal seria atingir 2.500 sócios. Hoje, o clube possui 700. 
 
Se depender exclusivamente da disposição de dona Hilda, a tradição do esporte da bola laranja seguirá intacta. Hilda Couto acompanha o basquete francano há 40 anos. A paixão pela modalidade surgiu na juventude. Ela conta que praticava o esporte na época de escola. A aposentada diz que foi em um primeiro jogo de basquete por conta própria. “Meu primeiro jogo foi no Clube dos Bagres. Naquela época, o time era do Amazonas Franca. Me recordo daquela equipe, jogadores como Hélio, Fausto, Adilson, Gilson, Carlão, Robertão, Aguirre, Betão, Carraro e Carrarinho”, relembra, emocionada. Esta equipe presenteou a torcedora com uma relíquia: uma faixa do vice-campeonato mundial de 1975. Em quatro décadas, dona Hilda acompanhou a maioria e principais conquistas de Franca na modalidade. Indagada sobre qual dos títulos presenciados foi o mais festejado, ela é reticente em apontar uma única conquista. “É difícil. Título é título, e todos são importantes. Claro que pude acompanhar várias alegrias. Até mesmo os vices no Mundial, a gente ficou na torcida por aqui”, relembrou. O time conquistou o segundo lugar em 1975 na Itália e em 1980 na Iugoslávia.
 
O último título do time foi no Campeonato Paulista de 2007. De lá para cá, o clube amarga um jejum de sete anos sem conquistas. Na disputa do NBB 7, a aposentada esbanja confiança no time e sonha com a taça de campeão. “O time está entrosado e vem demonstrando garra em quadra, uma das virtudes colocadas pelo técnico Lula (Ferreira). Acredito sim, que podemos lutar pelo título.”
 
Em quadra Franca faz um bom início de campeonato. Em quatro jogos do NBB7, o time acumula três vitórias e uma derrota.
 
Diante desse cenário de crise e de expectativas com esta temporada, o Comércio elegeu a torcedora símbolo e sócio-torcedora número 1, para falar sobre o atual situação do clube. Confira a entrevista com dona Hilda.
 
Durante a semana, a direção do Franca Basquete se reuniu com os torcedores e divulgou o cenário crítico que o clube atravessa nesta temporada. Como torcedora símbolo, qual a visão da senhora sobre a grave crise financeira?
É difícil. Todos os torcedores sabem que o momento é complicado. É muito triste ver um clube que você ama passar por essa situação. O basquete representa tudo em minha vida. Tenho a confiança que vamos sair dessa. O Lula Ferreira (técnico) disse em uma entrevista que fica até o fim do poço, até a última gota. Nós torcedores estamos com ele até o fim. 
 
Caso não consiga uma resposta positiva junto aos torcedores, a direção do Franca Basquete não descarta pedir licença do NBB 7. Como é ver um clube com mais de 60 anos de tradição, abandonar a competição?
Sinceramente não acredito que o time vai acabar. A preocupação é grande e foi nos passado isso (durante reunião da diretoria com torcedores na última terça-feira, dia 11), que poderiam mesmo pedir licença e interromper as disputas. Isso não vai acontecer. Nós, francanos de coração, não vamos deixar que isso venha acontecer. Tenho certeza que as pessoas daqui vão colaborar e juntos resolver esse impasse. 
 
Franca é considerada a capital do basquete. Porque a senhora acha que chegou a essa situação? Existe algum culpado na opinião da senhora?
Não sei dizer. Acredito que todos que passam pela direção do clube tentam fazer o melhor. Às vezes dá certo ou não. É difícil apontar um culpado. Não sei, acho que é uma crise diante a falta de um patrocinador. 
 
A diretoria tentou de todas as formas encontrar um substituto para ocupar o lugar de patrocínio máster deixado pela Vivo. Sem resposta fora, a direção recorreu para as empresas da cidade e o cenário não mudou. Por que o empresariado local não abraçou a causa?
Franca é uma cidade com muitas empresas, indústrias e até mesmo com uma grande universidade. Acho que poderiam, sim, olhar com carinho para o momento vivido pelo clube, pois o basquete leva o nome da cidade para o País. 
 
A senhora foi cadastrada como a primeira sócio-torcedora do time e é um símbolo do esporte na cidade. Aposentada, poderia entrar de graça nas partidas no Póli, mas mesmo assim continua pagando a entrada. O que motiva a senhora a abrir mão do benefício? 
Continuo contribuindo normalmente. Como sou aposentada, poderia entrar gratuitamente, mas prefiro dar minha parcela de ajuda com o time. Fui convidada por um presidente para ter uma cadeira cativa nas cadeiras, mas recusei. Gosto de ficar na arquibancada, no meu lugar ‘cativo’ e ao lado dos mesmos amigos durante os jogos.
 
De acordo com o clube, a adesão ao programa de sócio-torcedor é baixa, e o time necessita alavancar esse quadro para obter receita. O que a senhora acha que falta para mais adesões?
O sócio-torcedor poderia ter alguns benefícios, mas entendo que no momento não tem como devido à crise financeira que o clube passa. Ela (crise financeira) veio como uma bomba relógio. A diretoria agiu certo em falar com o torcedor e mostrar o que de fato está ocorrendo. Deveria ser dessa maneira.
 
Dona Hilda, existe uma solução para contornar esse drama enfrentado pela instituição fora de quadra e manter intacta toda tradição do clube no esporte da bola laranja?
Sem um patrocinador, o momento exige a colaboração do povo francano. Chegou a hora da união de todos em prol do nosso basquete. Além da doação em dinheiro ao clube, as pessoas deveriam aderir e se tornarem sócios-torcedores para ajudar a salvar o clube. Não podemos conviver com essa situação e deixar de ajudar. Só assim, resolveremos esse problema. 

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