A fedentina fica mais forte


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Desde os primeiros indícios de que um esquema de corrupção vinha agindo na Petrobras, cobrando propina de empreiteiras para o financiamento de campanhas eleitorais, o Brasil ficou em suspense. A princípio, ninguém imaginou que o esquema seria tão amplo, inclusive com ramificações no mensalão, que colocou políticos e empresários na cadeia após julgamento do STF (Supremo Tribunal Federal). A Operação Lava Jato começou investigando a ação do doleiro Alberto Youssef num esquema de lavagem de dinheiro. Ao chegar a Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, o processo se ampliou a partir das delações premiadas do ex-executivo da petroleira e do doleiro. A situação fica mais feia a cada dia e começa a preocupar agentes políticos, como deputados e senadores que estariam envolvidos com o esquema criminoso.
 
Pois ontem foi dado mais um passo em direção ao esclarecimento total do esquema que funcionava na principal estatal brasileira. A Polícia Federal cumpriu mais de uma dezena de mandados de prisão, colocando altos dirigentes e diretores de empreiteiras e ex-funcionários da Petrobras atrás das grades. Alguns ainda conseguiram fugir. Para se chegar a este resultado, com certeza a PF e a Justiça Federal têm mais do que indícios da participação de todos na roubalheira que atingiu em cheio a petroleira, que já chegou a ser uma das maiores do mundo e que nos últimos anos vem perdendo valor de mercado a olhos vistos.
 
O senador Aécio Neves (PSDB), candidato derrotado à presidência da República nas últimas eleições, foi direto ao ponto, ontem: “tem muito político que está perdendo o sono nos últimos dias”. Ao contrário das CPIs (Comissões Parlamentares de Inquérito) em curso no Congresso Nacional, dominadas pela base aliada da presidente Dilma Rousseff, o trabalho da PF não sofre ingerência política. Por isso, não será surpresa se, em breve, deputados e senadores passarem por indiciamento. É uma situação que se desenha diante dos desdobramentos da Operação Lava Jato. Triste sinal dos tempos este que vivemos, quando instituições nacionais são aparelhadas em troca de apoio político. Várias delas foram loteadas e não será surpresa se outras estatais estiverem sendo vítimas desta verdadeira rapinagem.
 
Os brasileiros continuam acompanhando com grande interesse todos os lances da investigação da PF e do Ministério Público Federal. A partir de agora, o governo federal tem a obrigação de deixar as tergiversações de lado e permitir que as CPIs do Congresso apurem com seriedade todo o esquema que colocou o nosso maior patrimônio ao rés do chão. A Petrobras não pertence ao governo ou a qualquer partido: é de todos nós. Por isso, não pode ser usada de forma criminosa por aqueles que locupletam à custa dos cofres públicos que são abastecidos com os impostos pagos por toda a população. Fatos como este não podem mais se repetir e serem tolerados, como se fôssemos uma ‘república das bananas’. O Brasil é muito maior do que isso e tem todas as condições de colocar os corruptos na cadeia.
 
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