Não dá vontade de ser bandido?


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O discurso da vitória da presidente reeleita virou farinha. A reforma política não sairá do papel porque os legisladores (seus partidos lhes dando apoio) se posicionaram contra. Plebiscito, consulta ao povo, jamais. No máximo, um referendozinho a partir de propostas feitas por eles. 
 
Neste país de faz de conta, explica a razão de mais e mais gente se decidir a bandidar. Aqui, quem não trabalha, não produz e não paga impostos ganha. 
 
O governo, com o dinheiro que toma em impostos dos que trabalham e produzem garante aos que não trabalham e não produzem, cama, comida, banho, roupa lavada, bolsas ‘dinheiro’, médicos, psicólogos, e o ‘sagrado’ direito de ir e vir, ficando de barriga para cima onde bem entenderem com proteção da polícia, defensores públicos e, por extensão, da justiça.
 
Para garantir que essas multidões cresçam, partidos políticos, donos dos cargos de deputados e senadores que fazem as leis que adubam as benesses aos que não trabalham, não produzem e não pagam impostos, estão jogando fora as máscaras que vestiram nas eleições e disputando, palmo a palmo, as estruturas do poder executivo que dão vida ao paternalismo, terreno fértil do voto que, cobrado, os reelege.
 
Que gente séria é a deste país, que sabe de tudo isso e não faz nada para mudar? Povo que cala, consente! Parece que o brasileiro se encantou com a ideia que é possível levar vantagem em tudo. 
 
Esta, parece-me, é a outra razão do crescimento da massa dos que, sem qualquer preocupação, trocam benefícios quaisquer pelos votos que mantêm projetos de poder espúrios. 
 
Centros pops, bons pratos, metrôs e petrobrases, perdão de dívidas internacionais, crimes de poder ofensivo não darem cadeia, progressão de penas capazes de devolver à casa mensaleiros condenados depois de quase tempo nenhum presos, burocracia desmedida para comprovação de flagrantes criminosos, apenamentos por fiança e dezenas de outras ‘possibilidades’ que mais apoiam o crime do que penalizam já são lugares comuns. 
 
Você, que me lê, pode facilmente agregar a esta lista que apenas rascunhei, suas próprias observações. Permite concluir que tanta desvelo antiético para com as normas sociais e ao sacrossanto dever de produzir para poder receber algo em troca só podem servir, para valer, como crédito a ser cobrado dos ‘bafejados pela compreensão’, na ocasião de eleições.
 
CANSA SER VOZ CLAMANDO NO DESERTO: Vou rever minha decisão cidadã de continuar pagando para que moradores de rua tenham ‘salário mensal’ entre R$ 1,5 e R$ 3 mil por mês. 
 
Um pedidor de esmolas em Franca pode ‘ganhar’ entre R$ 50 e R$ 100 ao fim de cada ‘dia de trabalho’. A comprovação se deu em pesquisa realizada e tabulada pela Secretaria de Ação Social municipal há três anos, ainda sob o comando do advogado Roberto Nunes Rocha. 
 
A quantidade de moradores de rua em Franca era muito menor que hoje. Assistentes sociais, hoje,  apostam que a escalada de violência que tomou conta da cidade pode significar mais dinheiro ‘pagando’ contra o medo que se apossou das pessoas vítimas dos pedintes. 
 
Vou repensar se continuo pagando impostos para que os governos ‘distribuam renda’ ou benesses sem critérios a quem não trabalha, não produz, não paga impostos. Vou rever minha própria disposição de trabalhar, produzir, e de pagar impostos. Penso que seja hora de pensar em jogar fora a ética e a cidadania e integrar as hordas que garantem, ‘estão se dando bem’. Afinal, qual o prêmio para quem luta contra os sem informação, os preguiçosos e espertos que se dão bem? 
 
Luiz Neto
jornalista - luizneto@comerciodafranca.com.br
 

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