Levantamentos formais e informais mostram que o brasileiro reduz a sua confiança na economia do País. De acordo com a Sondagem da América Latina divulgada ontem pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) a percepção sobre a situação atual do clima econômico brasileiro piorou em outubro deste ano e, aos 30 pontos, atingiu nível idêntico a janeiro de 1999 e o pior patamar desde abril de 1993 (26 pontos). Para se ter uma ideia da situação que vivemos hoje, no início de 1999 o Brasil estava em plena transição do regime de câmbio fixo para o flutuante, o que provocou uma maxidesvalorização do real ante o dólar, enquanto em abril de 1993 vivíamos uma época da hiperinflação logo após o impeachment do presidente Fernando Collor.
Porém, esta situação atual foi causada pelo próprio governo. Durante a campanha vitoriosa que lhe deu a reeleição, a presidente Dilma Rousseff garantia que o seu governo não iria tomar medidas impopulares, jogando o ônus para seus adversários. E ela foi reeleita com a aprovação de cerca de 40% dos eleitores — aproximadamente 60% votaram em Aécio Neves ou em branco, anularam ou deixaram de comparecer às urnas no segundo turno —, o que mostra que seu discurso não encontrou eco junto à maioria.
Menos de um mês depois, várias medidas anunciadas pela presidente e indicadores divulgados pelos órgãos do governo passaram a contrariar o discurso eleitoral. Primeiro, veio o aumento dos combustíveis (gasolina e diesel, mas impactando também no valor do álcool). Seguiram-se índices nada confortadores para a economia brasileira: o desemprego cresce nas regiões mais industrializadas do País, a produção tem caído a níveis históricos e a atividade econômica deve evoluir apenas 0,2% (contra uma média global de até 3,5%). mantendo os níveis pífios dos últimos dois anos.
Agora, além de não cumprir a meta de superávit projetada para este ano, o governo federal (ao ver que a contabilidade criativa e as “pedaladas” não surtiriam efeito) tenta aprovar uma lei para mudar o teto da meta fiscal. Na última terça-feira, 11, o Planalto enviou ao Congresso um projeto de lei que retira o teto do limite máximo de abatimento com despesas do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e das desonerações, hoje em R$ 67 bilhões, para o governo central alcançar o superávit primário.
A medida dá ampla margem de manobra para o governo e permite que, mesmo em caso de déficit primário ao final do exercício, a meta do superávit seja considerada cumprida. Mais uma vez, incompetente para conseguir por si própria, a área econômica do Planalto cria mais um estratagema para fechar as contas no final do ano. Para isso, conta com uma ampla maioria no Congresso para aprovar esta medida. Vê-se que o governo da presidente Dilma Rousseff prefere “maquiar” números e indicadores em vez de procurar corrigir o que está errado, retomando o crescimento econômico perdido nos últimos quatro anos. O perigo é que esta bolha estoure mais à frente, criando ao País num abismo difícil de ser superado.
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