Há alguns anos, quando eu ainda cogitava obter a cidadania italiana sem perder a brasileira, um advogado me informou que eu conseguiria no Memorial do Imigrante, a certidão de desembarque de meus bisavós maternos, Rafael e Rafaella Salerno.
Chegaram ao Brasil através do Porto de Santos, final do século XIX. Pelos contatos que fiz, pude aquilatar quão grande foi o contingente de italianos que, em navios nada confortáveis, deixaram sua terra natal tomados pela esperança de, aqui, contribuir fortemente com o crescimento de nosso país.
Estima-se que residam, no Brasil, hoje, aproximadamente 32 milhões de italianos e seus descendentes. Vieram de diversas partes da Itália para trabalhar em vários setores, mas principalmente na lavoura.
Trouxeram na bagagem, além dos sonhos, enormes contribuições à nossa música, à culinária, ao esporte, aos costumes. Com eles vieram, também, a alegria e a descontração. Sem dúvida, as tradicionais festas italianas reproduzidas em solo brasileiro retratam, com fidelidade, o jeito de viver deste povo generoso e especial.
Nem a Segunda Guerra, com Brasil e Itália em frentes diferentes, e nem as acirradas disputas futebolísticas — foram duas finais de Copa do Mundo —, conseguiram criar atmosfera de animosidade entre os dois povos.
Franca, como em várias cidades brasileiras, tem grande quantidade de famílias com origem naqueles imigrante.
São profissionais liberais, docentes, fazendeiros, operários, religiosos, políticos, médicos, músicos, pintores, dentre tantos outros que muito contribuíram e continuam contribuindo para a pujança da ‘cidade das três colinas’.
Sinto-me extremamente feliz em ser brasileiro, uma nação de pessoas acostumadas a fazer diferença, fazendo diferente; mas também tenho especial alegria em ter ascendentes que aceitaram desafios novos e optaram por criar seus filhos nessa maravilhosa Terra de Santa Cruz.
Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial e professor da Faculdade de Direito de Franca
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