Indústria à deriva


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A indústria brasileira está próxima de passar por um período bastante turbulento. Diante dos baixos números das contas públicas, o (ainda) ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou dias atrás que cortes serão feitos nos benefícios que, nos últimos três anos, não foram capazes de reverter a situação do setor — que fecha vagas e reduz a produção —, tirando ainda qualquer possibilidade de novas desonerações para estimular o consumo. Ou seja: o industrial terá que se virar se quiser crescer, uma vez que os novos aumentos do juro (a taxa Selic) projetado para os próximos meses reduz ainda a oferta de crédito para investimento.
 
Além dos prognósticos nada animadores, a indústria brasileira registrou no mês passado a oitava retração consecutiva na produção, de acordo com indicadores divulgados ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A queda de 3,9% no pessoal ocupado em setembro ante o mesmo mês do ano passado foi puxada pela redução de 4,7% no parque industrial paulista . São Paulo responde por um terço do emprego industrial do País. Como se pode ver, o Estado continua liderando as perdas na produção e nos empregos, o que demonstra claramente que se não houver uma medida capaz de recuperar a capacidade de investimento e produção, a situação pode deteriorar ainda mais.
 
O novo recuo no número de trabalhadores na indústria em setembro fez o emprego industrial ficar 8,3% abaixo do pico registrado em julho de 2008, enquanto a produção industrial está 6,3% abaixo do pico, que foi em junho de 2013. E o problema não se resume apenas à indústria. Todo o setor produtivo brasileiro, incluindo aí os setores de comércio e serviços, enfrenta dias difíceis e sem qualquer perspectiva de uma melhora em curto prazo. O governo promete estudar as demandas da indústria brasileira, que enfrenta gargalos por causa da infraestrutura e da logística muito longe das ideais. 
 
Outro grande problema é a concorrência internacional, muitas vezes predatória, a qual conta com a imobilidade do Planalto em prospectar mercados e fechar parcerias com países tradicionalmente clientes dos industriais brasileiros. Para piorar, o câmbio não tem ajudado. Ano a ano, o setor produtivo nacional vê-se sem condições de concorrer com mercados emergentes e perde espaço para os chamados Tigres Asiáticos e a China, perdendo espaço inclusive no mercado interno.
 
Já passa da hora da equipe econômica do governo federal mudar para um rumo diametralmente oposto do que vem sendo seguido até aqui. A indústria brasileira precisa recuperar a sua capacidade de investimento e de produção, encontrando abertas as portas do mercado internacional, as quais foram fechadas no decorrer da última década. Apenas desonerações não bastam: faltam maiores incentivos que desestimulem o jogo no mercado financeiro. Com condições adequadas, o empresário perceberá que vai ganhar mais aplicando nos próprios negócios, criando empregos e produzindo mais. Assim, venderá mais e consequentemente verá crescer seus lucros.
 
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