Os Estados brasileiros das regiões Sudeste, Sul, Centro-Oeste, do Acre, Rondônia, Roraima e do DF não podem ficar tranquilos, pois não foram vencedores na contenda presidencial. Manda a democracia que deve se respeite o desejo da maioria, mesmo em campanha notabilizada por comportamentos pouco éticos.
Primeiro, porque somos um só país, apesar das tentativas de nos dividir entre ‘nós’ e ‘eles’, entre Norte/Nordeste e Sul, ou entre pobres e ricos. Somos um só Brasil e todos somos brasileiros. Segundo, porque pela primeira vez um presidente recebe uma herança maldita de si mesmo e, para chegar ao país mostrado na campanha eleitoral, no qual o crescimento estava assegurado e a inflação sob controle, será preciso muita criatividade (econômica e de governo), coragem, ousadia, disposição e habilidade para mudar o rumo da história.
Como resgatar a confiança de consumidores e empresários para que voltem a ser protagonistas da economia, consumindo e investindo o necessário para que possamos desfrutar de ambiente econômico robusto e em crescimento?
Nada indica que será fácil fazer a economia crescer e domar a alta dos preços. O Banco Central já tomou a iniciativa de elevar a taxa Selic em 0,25% logo após o anúncio do resultado das eleições. A atualização do preço dos combustíveis, parece, será feita a conta-gotas, pois, o aumento anunciado não resolve os problemas de caixa da Petrobrás e tampouco ajuda a eliminar os problemas da indústria sucroalcooleira, que pena para sobreviver.
A energia elétrica teve tarifa reajustada na média de 15%, mas deve ser mais, face às condições climáticas. As contas públicas estão em péssimo estado, tanto pela economia que não cresce, como por desonerações que não surtiram o efeito desejado.
A propósito, a presidente prometeu ‘fazer a lição de casa’. Tivesse feito desde o início do mandato anterior não estaríamos vivendo tempos tão difíceis.
Vicente P. Oliveira
Economista — FEA/USP
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