Ao lado do calçado, Franca se tornou conhecida no mundo todo por causa do basquete. Desde meados do século passado a cidade passou a apostar neste esporte e, de lá para cá, conseguiu feitos e glórias que só fizeram o nome da cidade ser conhecido no planeta. Títulos paulistas, nacionais e internacionais trouxeram uma fama que deu a Franca o epíteto de Capital do Basquete no Brasil. São décadas de dedicação, formação de atletas e de equipes competitivas que fizeram sucesso aqui e lá fora. Pois tudo isso pode acabar, de uma hora para outra, caso as dificuldades financeiras do clube não sejam resolvidas em curto espaço de tempo.
Sem um patrocinador master, capaz de bancar as maiores despesas da equipe. O Franca Basquete atravessa uma situação sem precedentes em sua história. Desde a saída da Vivo, que nos últimos anos estampava o maior espaço da camiseta dos jogadores e permitia o cumprimento das despesas do clube, principalmente salários de jogadores e funcionários, não apareceu outro patrocinador master. Várias empresas foram procuradas e não houve qualquer sinalização positiva. Trata-se de uma situação difícil que, nos últimos anos, causou o desmonte de equipes de ponta no Brasil, prejudicando inclusive a formação de novos atletas.
Como mostrou reportagem do Comércio em sua edição de ontem, a diretoria tenta encontrar formas de manter a equipe e a tradição francanas, mas não está fácil. Até a torcida está sendo chamada a participar e apresentar soluções. O clube ainda prepara uma campanha intitulada “Franca patrocina Franca”, que pretende colocar quatro mil pessoas no Póli em todos os jogos do NBB. Porém, esta solução não será capaz de reverter a situação. Pode, quando muito, amenizar os problemas. O fato é que salários de atletas, comissão técnica e funcionários estão atrasados. A nossa reportagem apurou ainda que a folha salarial mensal gira em torno de R$ 230 mil e não há dinheiro suficiente em caixa para quitar pelo menos esta dívida. Além disso, informa-se extraoficialmente que o Franca Basquete tem outras dívidas (inclusive trabalhistas), em valor que supera o R$ 1 milhão.
Enquanto isso, o elenco continua trabalhando e atuando com garra (venceu as duas primeiras partidas do NBB, contra o Basquete Cearense e contra o Brasília), mantendo os treinamentos para enfrentar o campeão Flamengo hoje. Mas, por causa dos problemas financeiros enfrentados pelo clube até mesmo a permanência dos jogadores do elenco atual ainda é incerta.
É hora da cidade se unir e buscar uma solução que mantenha acesa a chama de mais de 60 anos e que revelou para o Brasil e o mundo gerações inteiras de atletas, quando existiam apenas dois ou três times de qualidade no País. Não foram poucos os jogadores formados aqui que integraram o elenco da seleção brasileira. Uma cidade industrial e com comércio forte tem que somar forças para manter uma tradição que ainda hoje é capaz de lotar o ginásio Poliesportivo e vibrar com o nosso time. A Capital do Basquete não pode ficar órfã de um de seus maiores orgulhos nas últimas décadas. É algo que nós devemos ao basquete francano.
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