Funcionários municipais do NGA (Núcleo de Gestão Assistencial) interditaram na tarde de ontem, 11, os três bebedouros existentes no local. A decisão foi tomada após os servidores constatarem que a água estava turva e não adequada para o consumo dos pacientes atendimentos na unidade.
Segundo um servidor que preferiu não se identificar, a água estava normal até o período da manhã. “A partir do horário do almoço, começou a sair uma água amarelada, sem condições de beber. Resolvemos, pelo bem das pessoas que aqui frequentam, interditar os bebedouros.”
Por iniciativa dos próprios funcionários do local, cartazes foram afixados nos três bebedouros do prédio. Mas como nem todos estavam com os registros fechados, a reportagem flagrou ao menos três pessoas tentando consumir a água, mesmo diante do aviso. “Colocaram o papel da mesma cor do bebedouro, eu não percebi e quase bebi. Agora vou ter que aguentar até consegui beber água em outro lugar”, disse a dona de casa Fátima Pessin.
Sentado em um dos bancos de espera, o motorista Rogério Ferreira Santos Sousa exibia assustado uma garrafa com água do bebedouro. “Estou aqui desde as 11 horas e já bebi duas garrafas. Não tem condições de comprar e está muito quente. Com essa notícia, fico até preocupado.”
De acordo com os funcionários do NGA, cerca de 4 mil pessoas passam pela unidade todos os dias e fazem uso da água. “Eu tomo água na barraca da frente e tem um grupo de funcionários que junta e compra um garrafão, mas os pacientes não têm onde beber água. A única alternativa é comprar”, disse outro servidor, que também não revelou o nome. Ainda segundo eles, a água dos bebedouros vem da caixa d’água da unidade, e essa estaria suja e infestada com piolhos de pombos e baratas.
Análise
A reportagem do Comércio teve acesso à caixa d’água e verificou que, apesar de permanecer fechada, em seu interior havia penas de pombos grudadas em sua parede. Por ser uma caixa funda e escura, não foi possível, porém, constatar se havia a presença de baratas na água.
Com auxílio de usuários, a reportagem ainda conseguiu coletar água dos três bebedouros da unidade e pôde perceber que, de dois deles, a água apresentou turbidez. No terceiro, a água coletada estava mais clara e com aspecto mais próximo da que seria ideal para consumo.
Procurada, a Secretaria Municipal de Saúde não se pronunciou sobre o caso. Na Vigilância Ambiental, o diretor José Conrado Netto disse que a secretaria possui um setor de manutenção dos bebedouros e a Vigilância realiza acompanhamento constante da qualidade da água. “Faz menos de 15 dias que coletamos a água do NGA, porém, ainda não recebemos o resultado do laboratório. Os bebedouros possuem filtros, portanto não sei dizer qual seria o problema”, disse Netto. Da água coleta, são feitas análises fisioquímica (aspecto, sabor, cor e odor) e microbiológica (contagem de bactérias e coliformes).
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