Durante quatro dias, estudantes da Etec (Escola Técnica) “Professor Carmelino Corrêa Júnior”, o Colégio Agrícola, defenderam o nome de Franca na maior feira de ciência e tecnologia da América do Sul, a Mostratec. O projeto “uniformes mais seguros para o Corpo de Bombeiros” recebeu medalha e certificação de 4º lugar.
A pesquisa foi apresentada pela estudante Natyeli Cristina Silva, 17, com a orientação da professora Joana D’Arc Félix Sousa e co-orientação de Joyce Carolina de Sousa Barreto. O trabalho concorreu na área Engenharia e Materiais com outros 30 projetos. A roupa é feita de couro, é impermeável e resiste a até 800ºC, de acordo com as pesquisadoras.
Além da segurança, o objetivo era fazer uma roupa de baixo custo. O projeto é continuação de outra pesquisa que elaborou uma bota para ser usada pelos bombeiros nos incêndios. Segundo a estudante Natyeli Silva, a roupa tradicional dos bombeiros custa em torno de R$ 1.000, mas a do projeto sairia por R$ 70. O uniforme usado atualmente é feito com um material chamado fibra aramida, já o de Franca é desenvolvido a partir do colágeno retirado dos resíduos de couro curtido.
A premiação da Mostratec envolvia o recebimento de bolsas de estudo do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e credenciamento para outras feiras de ciências.
Os alunos francanos também levaram trabalhos que apresentavam soluções para contribuir com a conservação do meio ambiente. Uma das pesquisas era sobre a descontaminação de efluentes de curtumes, outro abordava o tingimento de couro com produtos naturais.
Além desses, foi apresentado o desenvolvimento de um tecido ósseo orgânico para tratamento de fraturas e problemas ósseos. Esse experimento também tem o couro como base. O projeto do tecido ósseo é continuação de um trabalho de pele artificial de 2013 e também foi destaque na feira.
O evento reuniu jovens pesquisadores de 22 países no fim de outubro, em Novo Hamburgo (RS). Entre eles, os sete alunos do Colégio Agrícola e as duas professoras que representaram Franca com determinação e criatividade. Veja o perfil de cada um deles em quadro nesta página.
Cientistas
Conheça os estudantes e professores do Colégio Agrícola que participaram da Mostratec
1 Carlos Henrique de Sousa
idade: 18 anos
Curso: técnico em curtimento
Carlos Henrique de Sousa, 18, fez todo o ensino médio no Colégio Agrícola e agora cursa técnico em curtimento. O estudante levou o projeto de coloração natural, que tem o objetivo de substituir os corantes sintéticos por naturais, para diminuir o impacto ambiental do descarte dos efluentes do tratamento do couro. É segunda vez que ele participa da Mostratec. “Lá em Novo Hamburgo, também é a capital do calçado, só que do feminino. Então, essa parte do couro é muito bem vista, recebemos bastantes elogios de avaliadores e empresários”, contou Carlos.
2 Eliane Aparecida Basali Rocha
idade: 58 anos
Curso: professora de técnico em curtimento
Eliane Aparecida Basali Rocha, 58, orientou na Mostratec o projeto da moringa oleífera (leia no número 4) e o do efeito de vegetais na coloração do couro. Eliane é professora do ensino técnico em curtimento e trabalha há 12 anos no Colégio Agrícola. “Gosto muito de fazer projetos, desde 2005 tenho participação em feiras, já participei de três edições da Mostratec”, disse a professora. Para ela, a presença em eventos desse tipo contribui para o desenvolvimento pessoal dos alunos, além do lado intelectual. “São poucos que se interessam pela pesquisa, porque exige dedicação.”
3 Carlos Henrique Rocha
idade: 16 anos
Curso: técnico em curtimento
Carlos Henrique Rocha, 16, cursa a 2ª série do ensino médio no Colégio Industrial e já faz dois cursos técnicos - o de mecatrônica (no Industrial) e o técnico em curtimento (no Colégio Agrícola). Carlos apresentou o projeto de tingimento natural do couro. “Esse ano fui a uma feira em Campinas e agora estou pegando o ritmo desse tipo de exposição.” Nas feiras, o projeto é explicado para o público e depois é analisado por avaliadores. “Ainda estou na dúvida sobre o que vou prestar no vestibular: tem a área química, mas também sempre gostei de matemática e informática”, disse o estudante.
4 Thaíza Paiano Fernandes
idade: 16 anos
Curso: técnico em curtimento
Thaíza Paiano Fernandes, 16, é estudante do segundo colegial do Colégio Agrícola e levou o experimento “Performance da moringa oleífera na descontaminação dos efluentes de curtumes”. A moringa é uma planta de origem indiana. De acordo com a jovem pesquisadora, a semente da planta é capaz de limpar até 97% do cromo, que é um metal pesado utilizado no curtimento. “Para tratar a água, os curtumes geralmente utilizam o sulfato de alumínio, mas é processo muito caro. Então, várias empresas acabam cometendo crime ambiental e descartando o efluente na natureza”, disse Thaíza.
5 Joana D’Arc F. de Sousa
idade: 35 anos // Curso: Professora de técnico em curtimento
A questão do couro trabalhada nas pesquisas de Joana veio de sua experiência de vida. “Eu nasci no curtume”, brinca a francana Joana D’Arc, 35, pós-doutora em Química pela universidade de Harvard. O pai de Joana trabalhou durante 40 anos em um curtume, e a família morava em uma casa no local. Joana é professora do curso de técnico em curtimento no Colégio Agrícola e orientou o projeto da roupa mais resistente para uso dos bombeiros, que ficou em 4º lugar. Ela também foi orientadora do experimento “Tecido ósseo para remodelação, reconstituição e transplante de ossos”.
6 Ângela F. de Oliveira
idade: 18 anos // Curso: técnico em curtimento
Ângela Ferreira de Oliveira, 18, já terminou o ensino médio e o curso de técnico em curtimento. Agora, cursa técnico em meio ambiente, também no Colégio Agrícola. Ela participa do projeto do tecido ósseo artificial, que é continuação de sua pesquisa da pele humana que realiza desde 2013. “Quando a pessoa fratura o osso, fazemos a reparação com tecido ósseo artificial e com a pele artificial”, explicou a estudante. Ângela participou em maio da maior feira de ciências do mundo, a Intel-Isef, em Los Angeles. A vantagem de seus projetos é a alta compatibilidade com o corpo humano.
7 Isabela C. de Sousa
idade: 21 anos // Curso: técnico em curtimento
Isabela Conceição de Sousa, 21, é aluna do ensino técnico em curtimento e participou da Mostratec ao lado da colega Ângela de Oliveira, com o projeto do tecido ósseo artificial, que tem o objetivo de reparar o osso sem o risco de rejeição no corpo. Com colágeno extraído de restos de couro e uma substância chamada hidroxiapatita, extraída da escama de peixe, foi elaborado um “cimento” para reparar ossos fraturados. “O objetivo era ter um produto de baixo custo que possibilitasse uma melhor recuperação dos pacientes pela ausência de rejeição”, disse a estudante.
8 Natyeli Cristina Silva
idade: 17 anos // Curso: técnico em curtimento
Natyeli Cristian Silva, 17, é estudante da 3ª série do ensino médio, cursa o técnico em agropecuária e em meio ambiente, mas já se formou em técnico em curtimento. Ela apresentou o projeto de um uniforme de couro para bombeiros, que ficou em 4º lugar. “A roupa é impermeável e não pega fogo, para isso utilizamos o colágeno de aparas e serragens do couro, o polietileno do isopor e sais ignifugantes.” Natyeli já participou de diversas feiras e foi premiada em São Paulo e Campinas. Em maio de 2015, o projeto será levado à feira I-SWEEEP, em Houston (EUA).
9 Joyce C. S. Barreto
idade: 28 anos // Curso: técnico em curtimento
Joyce Carolina de Sousa Barreto, 28, atuou como co-orientadora do projeto da roupa para bombeiros. Ela já é formada em técnico em química e neste ano começou o curso de técnico em curtimento. “Trabalho como auxiliar administrativa no Hospital do Coração, mas me esforço para fazer o curso à noite, aqui no Colégio Agrícola”, disse a estudante. Para ela, a oportunidade de participar de feiras contribui de forma muito positiva para seus estudos. Como Joyce já passou da idade limite para participar da Mostratec, ela entrou como co-orientadora do projeto da roupa.
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