O aumento da taxa Selic deve elevar as taxas de juros já cobradas dos consumidores. Então, ao invés de pegar crédito para comprar o que pode esperar, vale economizar e comprar à vista. Mesmo as dívidas ‘boas’ — compra de imóvel ou investimentos em empresa ou educação — requerem atenção especial. A economia não vai bem e as taxas têm previsão de aumento.
Para os já estão endividados, utilize reservas disponíveis para quitar débitos. Se a dívida for com cheque especial ou cartão de crédito, nem pense duas vezes. Acabe com o prejuízo antes que vire bola de neve. Em caso de financiamento imobiliário é importante obter desconto em relação ao total a pagar. Para saber se deve utilizar dinheiro reservado, veja se o desconto é maior que a rentabilidade desses investimentos atuais. Nunca aja por instinto. Se for preciso procure especialista e faça cálculos, muitos cálculos, porque uma diferença que para alguns pode ser considerada mínima, como 0,2%, em dez anos pode alcançar valores significantes.
O aumento da taxa Selic significa aumento da taxa básica de juros da economia, que era 11% e hoje chega a 11,25%. A diferença parece pouca, mas influencia diretamente na inflação de serviços e produtos. A intenção é que esse aumento venha a ajustar as condições monetárias. A previsão de economistas do Banco Central é que até o fim de 2015 essa taxa chegue a 12%.
Em termos mais simples, Selic é a taxa básica de juros, instrumento utilizado pelo Banco Central para manter a inflação sob controle. Quando está em alta o dinheiro tende a ser retido em títulos públicos, fazendo com que não existam recursos disponíveis no mercado para consumo, e investimentos em produção, a exemplo. Com isso a população consome menos e os investimentos em produção caem. A economia desacelera e os preços são reduzidos, mas só na teoria.
Luciano Duarte Peres
Presidente do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor Bancário
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