Vítimas de câncer de mama sofrem na fila de espera por cirurgia


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Luzia da Silva Ramos Matos, de 51 anos, espera pela cirurgia na mama há pelo menos três anos
Luzia da Silva Ramos Matos, de 51 anos, espera pela cirurgia na mama há pelo menos três anos
O descaso no setor de Saúde Pública está prolongando o sofrimento de mulheres vítimas de câncer de mama em Franca. A fila de espera por uma cirurgia plástica reparadora após a retirada do tumor não anda. Mesmo com lei federal obrigando hospitais integrantes do SUS a fazerem o procedimento imediatamente após a paciente alcançar as condições clínicas requeridas, o direito não é respeitado. Pelo menos 15 mulheres estão há mais de dois anos aguardando o chamado da Santa Casa. Além da gravidade da doença, a demora tem sido outro duro golpe na autoestima de quem teve um pedaço do seio mutilado. A situação, que o município, hospital e Estado parecem tentar esconder, é tão preocupante que levou o Ministério Público a abrir inquérito civil para apurar a situação e garantir o cumprimento da lei.
 
Exemplos para ilustrar o desrespeito com quem enfrentou o câncer e passou pelo duro tratamento não faltam. “Tirei a mama em 2009. Uso um extensor no corpo, que machuca e incomoda. Há cerca de dois anos, dei entrada com o pedido para fazer a reconstrução e eles só ficam me enrolando. Dizem que é preciso esperar uma prótese, que não chega nunca. Estou muito chateada”, disse Iraciara Oliveira Moreira Limonti, 48.
 
Luzia da Silva Ramos Matos, 51, tirou a mama há seis anos. Ela afirma estar esperando pela cirurgia de reparação há três. “A estética não é único problema. Como um seio ficou maior que o outro, sinto muitas dores nas costas. Incomoda muito. Me disseram que a cirurgia teria sido autorizada, mas a Santa Casa nunca me chama.”
 
Em julho de 2013, o Comércio contou a história de Fernanda Melo, 44, que já estava havia dois anos na fila de espera. “Sem exagero, essa cirurgia fará nos sentirmos mulheres outra vez. Damos graças a Deus por estarmos vivas, mas foi tirado um pedaço de nós”, disse ela. Em nota enviada na oportunidade, a Secretaria Estadual de Saúde afirmou que a cirurgia estava liberada e que a paciente seria encaminhada para a Santa Casa “até o final da próxima semana”. Dezesseis meses depois, nada mudou. “Minha mulher continua esperando”, afirmou na manhã de ontem o marido dela João Silva.
 
Inquérito
Em fevereiro, o vereador Pastor Otávio Pinheiro (PTB) encaminhou ofícios à Secretaria de Estado da Saúde cobrando o cumprimento da lei. Ele também denunciou o caso ao MP. O promotor Eduardo Tostes abriu investigação para apurar as possíveis irregularidades e passou a fazer cobranças mensais à Santa Casa e à DRS (Departamento Regional de Saúde). Em setembro, ele escreveu em um relatório que o encaminhamento do caso era “burocrático e sem resolutividade”. Citou ainda que havia pedido um plano de trabalho “sem sucesso”. Novo ofício foi expedido no  último dia 3 de novembro, questionando a situação atual. As respostas ainda não chegaram.
 
Em nota enviada ao Comércio, a Secretaria Estadual de Saúde afirmou que não há “nenhum” pedido de encaminhamento parado na DRS e que todos os casos recebidos são “prontamente” avaliados e encaminhados para os serviços de referência. “A oferta de serviços especializados não é uma prerrogativa exclusiva das Secretarias de Estado da Saúde. Cabe também às Prefeituras e a própria União”.
 
A secretaria disse ainda que uma paciente teria feito a operação em setembro e em outros dois casos foram avaliados e não há indicação para cirurgia.
 
Questionada sobre os motivos pelos quais as cirurgias não são realizadas e qual a previsão delas, a Santa Casa divulgou texto sem qualquer explicação. “Os procedimentos eletivos, ou seja, os programados, como é o caso da cirurgia plástica mamária pós-mastectomia são encaminhados pelo gestor (DRS-VIII) de acordo com a pactuação vigente e, posteriormente agendados após a avaliação médica”. A secretária municipal de Saúde, Rosane Moscardini, não respondeu às perguntas sobre os casos.

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