Não julgueis


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Quando a Arca do Senhor entrava na cidade de Davi, Mical, a filha de Saul, estava olhando pela janela. E vendo ao rei Davi, que ia saltando e dançando diante do Senhor, o desprezou em seu coração’. 
(2 Samuel, 6. 16)
 
 
Logo após ter sido aclamado rei de todo Israel, Davi derrota os filisteus e retoma a Arca da Aliança que era símbolo maior da presença de Deus para a cidade de Jerusalém. Sua alma estava alegre, seu corpo saltitante dançava, e o coração jubilava de satisfação. Já dentre os muros, vestindo apenas uma estola sacerdotal, tomado pela alegria, parecia ignorar o mundo. Simplesmente dançava! O louvor o fazia esquecer do mundo como se o céu e a terra fossem um grande altar onde estavam apenas ele, e o Altíssimo. 
 
Só quem já obteve uma grande vitória ao lado de Deus pode entender estas coisas. No entanto, a beleza histórica desse momento, bem como a expressão de louvor de Davi, não o livrou dos olhos julgadores de sua esposa que, pela brecha da janela diante do desprendimento do seu ato, somente foi capaz de enxergar a dança, os saltos e a pouca roupa. 
 
O texto diz que Mical o julgou simplesmente porque estava sem as vestes reais e vestia apenas uma simples túnica, como as dos escravos da época. Na sua precipitação, acabou por não compreender o real sentido daquele momento, e por esta razão acabou sendo punida por Deus, por julgamento precipitado. A filha de Saul ficou estéril e não teve filhos até o dia da sua morte (II Sm. 6.23). 
 
Muitas pessoas sem perceber, acabam desenvolvendo capacidade tremenda de julgar os outros, e se esquecem que Jesus nos ensinou que o juízo temerário deve ser, a todo custo, evitado. Não cabe a nós, especialmente aqueles que dizem ser testemunhas de Cristo, julgar a outras pessoas. 
 
Se este princípio fosse observado, as injustiças seriam minimizadas. Quem de nós, ao longo dessa vida, nunca julgou pelas brechas das janelas, com base no que acreditava ter visto, ou pior, no resultado dedutivo dos preconceituosos? É infinitamente mais fácil fundar-se nas aparências do que caçar evidências. Via de regra, a verdade transcende a percepção, a precipitação em julgar desnuda o caráter dúbio e o senso de justiça desbalanceado de quem ousa se fazer juiz dos outros. É certo que jamais enxergaremos as pessoas como o Senhor as enxerga, jamais teremos amor por elas como Ele teve e tem. 
 
É certo que como cristãos, estamos proibidos de julgar, com ou sem evidências, tanto quanto é certo que só há um Juiz, o Senhor. Muita vingança e ódio têm sido praticados pelas ‘brechas das janelas’, janelas de igrejas, inclusive. Tudo em nome da ‘honra de Cristo’, e em detrimento da dignidade cristã e humana. A este respeito, o Senhor Jesus nos ensinou: ‘Não julgueis, para que não sejais julgados, porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós. E por que reparas tu no cisco que está no olho do teu irmão e não vês a trave que está no teu olho? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o cisco do teu olho, estando uma trave no teu? Tira primeiro a trave do teu olho e, então, cuidarás em tirar o cisco do olho do teu irmão’ (Mt. 7.1-5.).
 
Caros leitores, diante de tudo isto precisamos de muita cautela quando formos tecer qualquer comentário acerca de nosso próximo, especialmente quando se trata de coisas negativas. Tenhamos cuidado quanto ao juízo temerário para não corremos o risco de provarmos de nosso próprio veneno. Deus vos abençoe.
 
Pastor Isaac Ribeiro
presidente da Igreja Evangélica Assembléia de Deus/Franca – Ministério Missão

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