Uma reclamação recorrente dos francanos, entra ano sai ano, é sobre o transporte urbano. Há décadas que a cidade é atendida pela Empresa São José, que continua ganhando os processos licitatórios e hoje é permissionária do transporte coletivo. Em toda sua existência, hoje tem novos donos, mas continua atuando na cidade, provocando insatisfação geral dos usuários que, em horários de pico, se amontoam em coletivos lotados. Em razão do número excessivo de passageiros, muitos passam direto por pontos, aumentando ainda mais a espera pelo transporte.
Hoje, a passagem em Franca (R$ 3,10) é considerada uma das mais altas do País, superando inclusive o valor cobrado em diversas capitais. O preço da tarifa é considerado alto demais para um município onde predominam trabalhadores que ganham até dois salários mínimos. Por isso, as reclamações abundam e se multiplicam, em razão do acordo assinado na surdina pelo prefeito Alexandre Ferreira com diretores da Empresa São José, perdoando multas devidas pelo não cumprimento de partes do contrato assinado com o Município no ano 2000, além de desconsiderar outras obrigações da permissionária do transporte urbano em Franca.
Além do preço da passagem, os usuários reclamam também das condições dos pontos de ônibus espalhados pelas ruas da cidade, por inadequados. Quem anda pela cidade percebe que, ao contrário do centro, onde há um terminal que protege os passageiros de intempéries, inclusive com bancos para a sua acomodação, em outros locais o panorama é diametralmente oposto. Há locais onde existe apenas o pequeno poste indicando que ali é local de parada do ônibus, sem cobertura e bancos, ao contrário do que reza o contrato firmado com a municipalidade. Há ainda alguns que nem postes têm. Pelo preço da passagem, os usuários creem que merecem maior conforto e atenção.
Agora, a Empresa São José volta a desconsiderar o contrato que lhe permitiu continuar prestando o serviço no Município. A manchete da edição de ontem do Comércio aponta que ônibus da empresa estão rodando sem cobradores em pelo menos quatro linhas que ligam bairros ao centro da cidade. A reportagem constatou a irregularidade nas linhas Seminário/Rodoviária, Vila Imperador/Janjão, Francano/Consolação e Pinhais/Francano. Todas com ônibus saindo do Terminal ‘Ayrton Senna’, que devem ter cobradores, segundo informa a Emdef (Empresa Municipal para o Desenvolvimento de Franca), que fiscaliza o serviço.
Além de provocar atrasos no itinerário, porque o motorista precisa fazer o próprio serviço e substituir o cobrador, a irregularidade ainda vai contra o acordado em contrato. E causa mais um transtorno aos passageiros pelos atrasos, além da superlotação e do preço da passagem. Até quando ainda vamos conviver com estas reclamações sem que a Prefeitura faça o que deve ser feito para defender o cidadão francano? A Empresa São José não pode mais fazer o que bem entende. É isso o que a nossa população espera — e merece.
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