Dentro de mais alguns dias, a limpeza das unidades escolares da rede municipal deixará de ser feita por servidores públicos e passará a ser atribuição de uma empresa privada. A mudança é resultado de terceirização no setor que está em fase de implantação pelo prefeito Alexandre Ferreira (PSDB). Não há ilegalidade na decisão administrativa, mas a categoria está apreensiva. As faxineiras reclamam da falta de transparência e afirmam não saber para onde serão transferidas. De acordo com o sindicato, a medida afetará cerca de 80 funcionários, 28 escolas, o Colégio Champagnat e as futuras instalações da Secretaria de Educação.
Os rumores sobre a terceirização da limpeza são ouvidos nos corredores das escolas do município desde o mês passado. A Prefeitura teria se limitado a mandar um e-mail para os diretores, mas sem detalhar as mudanças. “Ninguém falou nada com a gente. Na semana passada, dois funcionários da empresa que assumirá o serviço passaram na escola e disseram que devem assumir o trabalho no dia 17. Não sabemos o que será feito de nós”, disse uma faxineira que pediu para não ser identificada por temer represália.
A servidora concursada trabalha há três anos em uma escola da Prefeitura e afirmou que teme ser realocada para outra unidade distante. “A falta de informação é um desrespeito com a gente. Temos filhos, família e planejamos nossa rotina. Criamos vínculo com a escola. O prefeito não pode, simplesmente, chegar de uma hora para outra e dizer que vamos trabalhar em outro lugar. Como é que fica nossa vida?”
Diante do silêncio, os funcionários não sabem se vão continuar trabalhando perto do atual serviço nem mesmo se vão continuar lotados na Secretaria de Educação ou se serão transferidos para outras pastas. O caso já foi denunciado ao Sindicato dos Servidores Públicos do município. O presidente da entidade, Fernando Nascimento, disse não ver ilegalidade na decisão do prefeito em “privatizar” os serviços, mas chamou a atenção para outro problema. “Muitos candidatos foram aprovados no último concurso público para ajudante geral (nome da função dos faxineiros) e não foram chamados. Mesmo havendo vagas disponíveis, o prefeito não chamou ninguém e decidiu fazer a terceirização. Quem se sentir prejudicado poderá acionar a Justiça”, afirmou.
Embora tenha realizado o processo licitatório para contratar a empresa, o prefeito evitou confirmar que a terceirização está decidida. “A gente não pode nunca falar que está certo. Depende do plano de trabalho da empresa. Precisamos entender direito, ver se funciona e qual capacidade operacional. Estamos trabalhando para oferecer serviços de melhor qualidade, mais barato, mais eficiente e mais rápido.” Disse que, se a mudança for concretizada, será para 2015. Não há definição sobre os novos postos de serviço dos faxineiros.
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