Opinião todos temos, e sobre todas as coisas. Eu tenho, você tem. Não sei da sua e você não sabe da minha. Se queremos saber, perguntamo-nos. Opinião, então, é resposta a perguntas. Quem se cala, não faz diferença. E respostas variam de acordo com a pergunta. À inquirição simples ‘você é contra a pena de morte?’, focado no que pensa sobre crimes hediondos, o cidadão médio responde sobre ‘ser a favor’. Se, no entanto, agrega-se informação à mesma pergunta, a exemplo de recorrentes julgamentos que mandaram inocentes ao corredor da morte, a resposta pode mudar para ‘ser a favor, com ressalvas’. Também varia de pessoa para pessoa.
Informação é conhecimento não especializado. Você, torcedor ferrenho do time do coração, vê atuação de árbitro como prejudicial a seu clube. O torcedor adversário não concorda, especialmente se o resultado lhe foi favorável. É o mesmo árbitro, mas as emoções são distintas. Para observador externo, pode ser que o árbitro não tenha cometido erros.
Há, então, mais uma conclusão: opinião com base apenas em informação pessoal, ou crença, não é, normalmente, relevante. Outro exemplo: o PSDB quer auditar votações ‘depositadas’ em determinadas urnas no segundo turno da eleição presidencial, por suposta fraude. O ministro Ricardo Lewandowski, do STF, indicado à suprema corte pelo PT, disse que é contra. Antes de condená-lo, já que sabe que foi indicado pelo PT, ao qual não interessa auditoria, é preciso analisar sem emoção o ponto de vista dele: afirma que no segundo turno das eleições as urnas também decidiram governadores de Estados, e, por extensão, também essas eleições devem ser consideradas fraudadas? (Vou mais longe: o fato de escolher este caso para ilustrar o texto que escrevo, me torna partidário do PT ou do PSDB segundo você, que me lê?).
Conhecimento deriva de informação buscada em fonte adequada, rigorosamente checada e, só assim, tomada como verdade. O eleitor comum vota habitualmente por gosto, emoção ou crença. Pouquíssimos votam só depois de analisar candidatos ou projetos, e de checar e rechecar, formando opinião. Assim, é possível entender porque tivemos 37 milhões de abstenções, ou votos brancos ou nulos nas eleições do segundo turno para presidente. Essa gente, população superior à de muitos países, poderia ter decidido diferente se soubesse sobre rotinas de checagem de informações — sim, a internet proporciona isso, não apenas lazer, faces ou zapzaps. Então, esse mar de gente sem opinião, usou a ‘opção ‘de não comparecer ao voto, não fazer diferença. Chame do que quiser — protesto, preguiça, ‘não estar nem aí’. Ainda assim, definiram os resultados(!) e isso é aterrador(!!!). Estamos vivendo um país no qual um terço dos eleitores aceita a presidente, outro terço apoia o adversário dela e o terço restante não apoia nenhum dos dois, não quer saber de nada ou, como diz, quer que o ‘país se (exploda)...’. Sábio Chico Anysio...
JORNAL ESCOLA: Foi uma honra debater opinião, informação e conhecimento com professores da rede particular de ensino de Franca em oficina do Jornal Escola 2014, esta semana. Concluímos que a maioria dos cidadãos está por aí, jogada ao léu, tratada somente como ‘massa’ a ser conquistada pelos marqueteiros políticos, e, nos períodos inter-eleições, paternalizada por governos que depois cobram a conta do ‘carinho dado’. Reconheço professores vocacionados como guerreiros e sobreviventes tornados coisa nenhuma pelo Brasil que desprestigia a educação em prol da cultura do ‘quanto menos inteligente (para não grafar antônimos), melhor’. Não os invejo mas os estimulei a preparar crianças e adolescentes para que busquem informação e conhecimento e se tornem cidadãos de opinião. São esses jovens que vão assumir o Brasil em 20 anos, e me recuso a aceitar que devam se tornar políticos ou eleitores de políticos como os de hoje...
Luiz Neto
jornalista, editor de Opinião - luizneto@comerciodafranca.com.br
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