E Quando o Santo Quebra? - Com esta provocação o professor de Artes Adriano Crisostono exibe na Casa do Artista Francano “Abdias do Nascimento” uma mostra fotográfica que reflete os destinos mais comuns dados por fiéis da região a suas imagens de devoção partidas. “Foi uma ideia que tive ao observar esses altares na rodovia. Certa vez pensei: vou registrar isso e trazer esta pergunta para o pessoal: e quando o santo quebra?”, relembrou o artista.
A partir de então, Adriano passou seis meses percorrendo cidades do entorno francano registrando em fotos os locais de ‘descarte’ dos santos mancos. Durante o percurso, registrou conversas com padre, pastor, fiéis espíritas e candomblecistas a respeito do tema, chegando a respostas intrigantes que podem ser ouvidas durante a exposição. “Depois que o santo quebra a gente coloca ao pé da cruz e aí vem a chuva, como dizia minha avó. Acho que o pessoal tem quebrado poucos santos”, diz um anônimo em uma das gravações. “Quando o santo quebra a gente enterra”, afirma outro. “Tem que por em água corrente”, diz um terceiro. Além das técnicas para deixar que o santo descanse em paz, cada fiel tem seu modo de encarar a quebra do santo. “É sinal de coisa ruim”, “é sinal de mudança”, “quer dizer que o santo não te atende mais.”
Entre uma resposta e outra, um mosaico religioso cultural vai se compondo em imagens coloridas e preto/branco bem como no som característico do sotaque mineiro que invade esse pedacinho de São Paulo.
Completando esse cenário inusitado, diversos santos mutilados, colhidos por Adriano em suas andanças por aí afora, se reúnem sobre um balcão emoldurados por uma terra vermelha que retrata a tradição do ‘sepultar’. “Retirei essas imagens com a benção de um padre, que foi muito solicito”, explicou o fotógrafo antes de continuar: “percebi que por aqui essa pergunta (e quando o santo quebra?) é uma coisa que choca. Muita gente não soube o que me responder e outras tantas levou para o lado filosófico, se referindo a questões pessoais que deixaram de existir, de ‘coisas’ que pararam de funcionar e outras que perderam a importância que tinham”, revelou.
A exposição conta com 12 imagens de 50 x 70 centímetros.
Serviço
A mostra E Quando o Santo Quebra? fica em exposição até 23/11 na Casa do Artista Francano, à rua Oscar Brasilino dos Santos, 1.531, em frente ao Cemitério da Saudade, no Centro. A visitação é gratuita, de segunda a sexta, das 9h às 18h.
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