A Petrobrás e o cartel do metrô de SP, os mensalões do PT e do PSDB e o fisiologismo do PMDB, não são mais que sintomas graves do longo caminho do malfeito, pilhagem e astúcia. Sem extrapolar limites do Estado de Direito, chegou o momento da sociedade se posicionar de forma implacável contra inescrupulosos que se apoderaram criminosamente de grandes parcelas do poder no Brasil.
Já são quase 200 anos de governos patrimonialistas e clientelistas incapazes de solidificar as instituições do Estado — democracia vigorosa, justiça eficiente e sociedade civil consciente e participativa. Durante a história, nunca o poder autoritário de imperadores, ditadores e presidentes impediu crescimento dos nefastos grupos de malfeitores que se apoderaram do Estado — oligarquias rurais no princípio e, depois, empresariais, monopólios ou oligopólios, líderes de corporações, partidos políticos. Tudo hoje se resume na troika da corrupção, crime organizado e violência. Nessa sombra floresceram o PCC, o CV, milícias, mensalões do PT e do PSDB; ou, por agentes econômicos e financeiros, os casos da Petrobrás, cartel do metrô de SP etc.
Mudam alguns nomes mas não os perfis nem os vícios pérfidos dos que corrompem, gastam e dissipam o erário público, cada vez mais exangue diante da ganância corruptiva das organizações criminosas que se preservam por meio do financiamento das caríssimas campanhas eleitorais. Essa mesma troika maligna, liderada ou composta por políticos e partidos, alavancam progressos para, como gafanhotos famintos, vorazmente consumirem grande parcela dos recursos de forma ilícita, longe do bem comum. Todos (com raras exceções) apresentam-se desonrados e aviltados pelos vícios comuns, esvaziando-se a autoridade e a força moral. A corrupção no Brasil precisa ser passada a limpo e isso significa, desde logo, fazer valer o império da lei frente a todos.
Luiz Flávio Gomes
Jurista
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