O Tribunal do Júri da Comarca de Franca realizou, ontem, a sua primeira sessão no novo prédio do Fórum. Caso de repercussão, plenário lotado e réus condenados marcaram o julgamento. Foram levados aos bancos dos réus Fábio Júnior Miranda Oliveira e Danilo Souza Ribeiro. Eles são acusados de terem assassinado a tiros duas mulheres e de tentar matar uma travesti após um programa sexual regado a drogas e álcool há pouco mais de dois anos. Fábio pegou 32 anos de cadeia em regime inicial fechado, Danilo, 30 anos e oito meses. “Não vão poder recorrer em liberdade, pois podem colocar em risco a ordem pública”, disse o juiz José Rodrigues Arimatéa, após anunciar a sentença.
Os crimes aconteceram na madrugada do dia 17 de junho de 2012, um domingo, e chocaram a cidade. Fábio havia furtado um Gol dois dias antes. Ele se encontrou com Danilo e o convidou para dar um “rolê”. Já haviam bebido quando avistaram Fabiana Cristina Patrício, 30, Jéssica de Jesus Silva, 16, e uma travesti de 17 anos em um ponto de ônibus na Estação. Convidaram o trio para um programa sexual e seguiram para uma casa na região do Jardim Esmeralda.
Tomaram uísque e cerveja. Consumiram maconha e cocaína. As versões para o começo da briga são conflitantes. No dia dos fatos, a travesti disse a policiais que Jéssica teria furtado R$ 7 e uma porção de droga dos criminosos. Já os acusados afirmam que a confusão foi provocada pela travesti, que teria empunhado uma faca e tentado roubá-los no momento em que Fábio abriu a carteira para pagar o programa com R$ 50. O menor foi agredido dentro da casa. “Hoje é um dia daqueles que dá vontade de dizer: por que fizeram isso? Foi uma brutalidade incomum”, afirmou o promotor de Justiça Odilon Nery Comodaro.
Fato é que as vítimas foram amarradas com algemas de plástico, colocadas dentro do carro e levadas para um canavial entre Franca e São José da Bela Vista, nas proximidades da Toca do Lobo. As mulheres foram mortas com tiros na cabeça. Fabiana estava grávida. “A travesti só conseguiu escapar porque fingiu que estava morta após ser baleada. As vítimas foram executadas sumariamente. Não tiveram possibilidade de defesa”, disse o promotor, enquanto exibia fotos das vítimas para os jurados. “As imagens são fortes, mas vocês precisam ter noção do crime brutal.”
Fábio Júnior confessou a autoria e disse que só ele atirou. A travesti disse em um dos depoimentos que Danilo também teria atirado, o que foi negado pela defesa.
Ao perceber que os criminosos haviam se afastado do carro imaginando que todos estavam mortos, a travesti caminhou ensanguentada pela estrada de terra. Ao avistar um grupo de ciclistas, pediu socorro. Os autores passaram o dia escondidos em um matagal nas proximidades. Ao retornarem para Franca, descobriram que uma das vítimas estava viva. Tramaram um plano de fuga e foram para um motel entre Franca e Ribeirão Corrente, onde foram presos pelos policiais da DIG no dia seguinte.
Ontem, saíram da cadeia para o julgamento. Familiares, inclusive, crianças, estavam na plateia. A primeira sentença a ser anunciada foi de Fábio Júnior. Ele chorou e levou às mãos ao rosto ao ouvir que pegou 32 anos de reclusão. Danilo também se emocionou e deixou o plenário chorando. Familiares disseram para ele ir com Deus e que o amavam. “Não se manifestem, se não, vai mais gente presa”, avisou Arimatea. Ao ouvir do juiz que poderiam sair, o grupo foi embora e reclamando em voz alta dos jurados. “Covardes.”
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