Vandalismo, roubo, drogas e agressões tanto físicas quanto verbais. A presença destas atitudes não são novas nas escolas de Franca, mas o sucessivo registro delas está causando preocupações. Sem saída, diretores, professores e demais funcionários de diversas instituições de ensino têm procurando os distritos policiais com maior frequência para relatar a violência que vêm sofrendo ou presenciando enquanto trabalham. Há casos também em que o silêncio prevalece e os atos não são registrados pelos docentes por receio que as consequências sejam ainda piores que as agressões.
Em entrevista à rádio Difusora AM, a delegada Graciela de Lourdes Davi Ambrósio, responsável por apurar este tipo de ocorrência, falou sobre o assunto em tom de preocupação já que, segundo ela, há registros desse tipo quase todas as semanas. “Infelizmente nós estamos recebendo várias denúncias. Tenho observado que tem sido quase toda semana em que professores vêm até esta delegacia, ou mesmo a ronda escolar é acionada, com casos de alunos ameaçando professores ou outros profissionais da escola.”
Em outras situações, os profissionais preferem não levar o caso adiante e optam por não registrar a ocorrência. O motivo, de acordo com uma professora da rede estadual de ensino que preferiu não se identificar, é o medo da denúncia não resolver o problema e, na contramão, causar transtornos ainda maiores tendo em vista que, na maioria das vezes, os alunos não são punidos por serem adolescentes. E a convivência com eles ficaria ainda mais difícil.
“Hoje está muito difícil. São muitos casos, sem contar aqueles que os professores e funcionários que sofrem agressão ficam quietos. As leis não ajudam porque elas impedem que os menores de idade sejam punidos. Antigamente era diferente e as notas eram boas, os alunos eram responsáveis e respeitavam os professores.”
Ainda durante a entrevista à Difusora, a delegada Graciela explicou que após o registro das ocorrências algumas providências são tomadas, mas em seguida é necessário encaminhá-las à Vara da Infância e Juventude para que tenham prosseguimento. “É claro que com relação a adolescentes cabe ao juiz da Vara da Infância e Juventude tomar as providências necessárias. Atendemos a ocorrência policial, tomamos as medidas e encaminhamos ao juiz para que assim seja dada continuidade ao registro”, disse ela.
Segundo o promotor da Infância e Juventude, Augusto Soares de Arruda Neto, as medidas variam de acordo com a sua gravidade. Muitos são e devem ser, segundo ele, resolvidos no próprio ambiente escolar que possui meios para isso. Já aqueles que chegam até a Justiça passam por diversos trâmites e podem receber diversas alternativas.
“Para a Justiça tem que vir situações graves, complexas. Quando vêm, recebemos o adolescente, verificamos se a família está bem constituída e se o problema foi resolvido no ambiente da escola. Muitas vezes são resolvidos e devem ser. Se não é, se a situação é mais grave, vamos processar o infrator e a Justiça pode aplicar uma medida que vai desde a advertência até a internação na Fundação Casa.”
Casos
Enquanto isso, os fatos não param de acontecer nas escolas francanas. Na última segunda-feira, uma professora registrou boletim de ocorrência por ato infracional após ser agredida física e verbalmente por repreender um aluno dentro da sala de aula. O fato aconteceu em uma escola estadual localizada na Vila Aparecida.
“Aconteceu um fato com uma professora que teria advertido um adolescente que estuda no local por ele ter passado a mão em outro aluno. Quando ela fez isso ele passou a destratá-la, a empurrou e teria a ameaçado de morte várias vezes. Segundo a professora, o aluno reside no recanto para menores (Recanto Aconchego). Agora vamos tentar identificá-lo e tomarmos as demais providências”, disse a delegada.
A Diretoria Regional de Ensino informou, via assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Educação, que o fato aconteceu no mês passado e está sendo acompanhado. “A direção da escola já se reuniu com responsáveis do aluno para esclarecer o fato e reforçar a importância da participação na vida escolar dos estudantes. O adolescente foi suspenso e o professor-mediador da unidade reforçará os trabalhos, já existentes, de combate à violência e de respeito aos professores.”
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